O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Grande coração de leão

Tive a honra de fazer parte de uma direção do Sporting com o Zé Filipe Nobre Guedes. Conhecia-o dos tempos do CDUL, onde foi raguebista de exceção, campeão e internacional e tinha, além disso, grande paciência para os mais novos, como era o meu caso.

Por essa razão o reencontro foi muito fácil e cordial e, durante quatro anos de convivência intensa, pude confirmar a sua reputação de elevada qualidade humana e profissional.

O que me leva a escrever sobre ele hoje não é obviamente acerca dos seus predicados, porque esses dispensam apresentação, outrossim sobre uma questão de justiça, que é reconhecer e realçar o excelente trabalho que ele fez em benefício do Sporting.

Zé Filipe Nobre Guedes foi quem concebeu, montou e porfiou na restruturação financeira do Sporting, quem arquitetou – juntamente com o Sikander Sattar – a solução dos VMOC´s e a negociou, com grande competência e tenacidade, com a banca. Só quem lá esteve é que pode avaliar o enorme trabalho que isso deu e as desconfianças que foi preciso desarmadilhar.

Eu sei que essa progenitora foi, de algum modo, usurpada na prática de revisionismo histórico que agora prevalece no clube, mas os factos, mesmo distorcidos, falam por si. Foi essa preocupação em deixar o trabalho completado, que sabia ser vital para o futuro do Sporting, que o fez integrar outras direções, que se seguiram à de Soares Franco, mas se não teve a alegria – que bem merecia - de ser ele a formalizar a restruturação, teve o mérito de a ter idealizado e preparado.

Por essa razão, o Sporting deve-lhe um especial agradecimento. Um único senão; Zé Filipe não se entusiasmava especialmente com o futebol e, ao fim de semana, era o cabo dos trabalhos, trazê-lo a Alvalade.

Mas, à segunda-feira, lá estava... E, ironia das ironias, um dos gestores mais sérios e capazes que passaram pelo Sporting vê-se confrontado com um labéu de gestão danosa, alicerçado numa pretensa auditoria, que não teve o escrúpulo e a honestidade intelectual de respeitar o princípio constitucional do contraditório e esclarecer antes de formular conclusões.
A tanto chegou a ânsia refundacionista.

Infelizmente, Zé Filipe partiu sem poder ver, como tanto desejava, o seu nome ilibado das absurdas e injustificadas acusações que lhe eram feitas. O mínimo que os que cá ficam podem fazer é não esquecer e zelar para que a sua memória seja defendida e o seu nome limpo de qualquer mácula.

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