O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Mando, logo expulso

Parece que agora a Comissão de Arbitragem deu tolerância zero para os excessos verbais dos treinadores. Como resultado, tem sido um ver se te avias de treinadores – incluindo, à cabeça o Jorge Jesus, que foi das primeiras vítimas – a ir assistir ao jogo na bancada.Quando as instituições entram em crise de credibilidade, têm tendência para se afirmar por via de reforços de autoridade e normalmente dá asneira. Esta ideia peregrina de apontar aos treinadores, não é exceção.

Não são os excessos verbais que minam o futebol; sempre existiram, dentro e fora do campo, fazem parte da paixão com que se participa, intervém e assiste, são a essência própria do fenómeno. Futebol sem sal, é pior que críquete.
Lembro-me que, no Brasil, montaram dispositivos para transmitir, em direto, os diálogos dos jogadores entre si e com o árbitro, durante um jogo, e a ideia teve rapidamente de ser abandonada, dada a natureza ‘very hard core’ das comunicações.

Se há destemperos no futebol, eles têm de ser geridos com inteligência e critério, para separar aquilo que é a emoção do momento, dos comportamentos verdadeiramente prevaricadores, ou seja separar o que é a injúria formal e desculpável, dadas as circunstâncias, daquela que é intolerável, em termos disciplinares. E, para isso, é preciso cabeça e presença de espírito, não necessariamente repressão.

Não é por expulsar treinadores que os árbitros são mais respeitados ou aplicam melhor as leis do jogo, como não é por mostrar muitos cartões que se impõe autoridade. O que conta é a leitura atenta do jogo, o discernimento técnico e disciplinar, a uniformidade e percetibilidade do critério, o acompanhamento próximo dos lances e a sua eventual explicação imediata, à semelhança do que há muito se faz com o râguebi.

É esta capacidade que muitos árbitros não têm e consequentemente não conseguem aplicar no campo. Se a isso somarmos a falta de sensatez e transparência em muitas das suas nomeações, estamos perante um caldo muito entornado.

Não considero que arbitragem em Portugal, seja uma questão de suspeição, de conspirações, favorecimentos e desígnios ocultos. Muito prosaicamente, acho que é, sobretudo, uma questão de competência.

1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais