O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Militância em tons de verde

Das coisas que mais prazer me deu fazer no Sporting foi participar na Comissão do Centenário. Tive oportunidade de contactar mais de perto com a complexidade e vastidão do universo leonino e conhecer muitos sportinguistas, de todos os quadrantes e condições.

Fiquei impressonado com muitos adeptos, antigos e fiéis, ilustres ou anónimos, mas que não eram sócios, não iam ao estádio e, muito menos às assembleias gerais. Na altura, qualifiquei esse estado de espírito de "sofredores de sofá". Parece quase que houve uma mutação cultural, quando se mudou de estádio, porque no antigo e durante os dezoito anos de jejum, os níveis de assistência e entusiasmo foram sempre elevados. Vejo, com gosto, mais gente no estádio e, sobretudo, nos jogos fora, a fazer ouvir a voz do Sporting, mas, como é óbvio, não chega.

Acho que o presidente do Sporting tem razão quando suscita a questão da militância, por duas razões. A primeira é que o Sporting é muito mais do que um clube desportivo, pelo qual torcemos; é uma causa, com princípios e valores, pelos quais vale a pena lutar e chegar-se à frente. Depois, se não são os sportinguistas a puxar pelo seu clube, não há seguramente quem faça o trabalho por eles; o Sporting não se declina na primeira pessoa do singular, é sempre o produto da abnegação e empenho de muitos. Assim sendo, acho muito boa ideia que se apele a que sportinguistas devem sair da sua zona de conforto e militem em prol dos seus ideais; se não o fizeram, outros o farão em nosso detrimento e até dizem que são seis milhões...

Qual é então o problema? É que quando se dizem coisas importantes, de uma forma tão displicente, as pessoas não são levadas a sério. Esta entrevista do presidente do Sporting à Sporting TV insere-se na linha do bardamerda e da conversa em ‘off’ com jornalistas, ou seja num estilo de comunicação colorido e truculento, que independentemente de se gostar ou não – e eu não gosto – padece de um pecado capital: põe o enfoque em quem comunica e não naquilo que se comunica.

As pessoas lembrar-se-ã sempre mais da rábula da expulsão do fumo ou do fatinho verde para sair de casa e menos - muito menos – daquilo de importante que, a espaços, foi dito.Não sei se o presidente terá ganho alguma coisa com aquela entrevista, ele saberá melhor que ninguém; sei que o Sporting, esse, ficou a perder.

O ganhar as eleições por mais de noventa por cento de votos não legitima tudo; lembro que houve um presidente que ganhou com maior margem ainda e não acabou o mandato.

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