O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

O frete

Está na cara que o Benfica quer vender o Renato Sanches.

Vai daí, a poderosa máquina propagandística do clube – a melhor que existe em Portugal – esmerou-se numa manobra de promoção do jogador em dimensão nunca antes vista. Ele é Renato nos jornais, televisão, revistas, o leque completo e, claro está, muita gente a pôr-se a jeito.

Já disse nestas páginas e repito. O Renato Sanches pode vir ser um grande jogador – lembra-me por vezes o Ruud Gullit – mas, para já, é apenas um bom jogador. Tem verduras próprias e naturais, fruto da sua pouca experiência, desposicionamentos táticos assinaláveis, agressividade por temperar.

Que o Benfica venda o seu peixe (este e outros), não me espanta; o que me impressiona é que o selecionador nacional se tenha prestado a dar acolhimento a esta operação comercial.

As pré-escolhas de Fernando Santos são coerentes com a sua idiossincrasia. Valores seguros e experientes, risco calculado, tração atrás. Só assim se explica que tenha optado pelo Ricardo Quaresma, ou pelo Éder. Claramente rejeitou surpresas!

Neste quadro, é caso para perguntar qual o racional da escolha de Renato Sanches? Porque promete ser um futuro craque? Mas então porque não escolher também o Gelson, o Sérgio Oliveira ou o Rony Lopes?

À semelhança do Nélson Semedo e do Gonçalo Guedes, bastou alguns (poucos) jogos pelo Benfica e muita – mas muita – propaganda, para merecer a preferência deste selecionador. Ser internacional A por Portugal ajuda a vender, para mais na montra do Europeu.

Quando vejo jogadores como o Adrien, por exemplo, que tão poucas vezes tem ido à Seleção, ou o tempo que o João Mário levou a chegar lá, acho que há, no mínimo, défice de coerência.Tenho o selecionador na conta de uma pessoa íntegra, mas estas condescendências, mesmo que involuntárias, não o ajudam e não ajudam a Seleção.

Finalmente, como se sabe, Portugal ganhou um Mundial de juniores, sob a suspeita de ter um jogador, que terá mentido sobre a sua idade. Não sendo, como é óbvio, o caso do Renato, que só foi registado anos após o seu nascimento e não tem culpa disso, mas com o curriculum que Portugal infelizmente tem nestas coisas, não seria sensato certificar clinicamente, quantos anos ele tem ao certo?

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