O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

O post Vieira

Será sempre controverso que eu, sportinguista militante, fale acerca do Benfica, porque se dirá que sou movido pelo tendenciosismo.

Digam o que disserem - e há gente sempre pronta a fazer fretes - o que se passa para as bandas da Luz, reveste-se de tal gravidade, que não pode deixar de ser comentado.

São por demais as embrulhadas que vêm a lume (e-mails, operação lex, operação e-toupeira), todas consubstanciando um manobrismo oculto, visando a obtenção de vantagens que, direta ou indiretamente, se projetam sobre a verdade desportiva.

Em minha opinião toda esta pouco edificante, série de enredos, resulta de dois fatores: um ligado às pessoas, outro às instituições.

Em primeiro lugar isto acontece, porque há gente ligada ao Benfica, que assume este tipo de comportamentos, e até, ao que parece, em modo de reincidência. No desporto, como na vida, há valores que devem ser respeitados e linhas (vermelhas ou não) que não podem ser pisadas, para mais numa instituição de referência nacional, centenária e de utilidade pública. Obviamente que, para quem agora manda no Benfica, esses limites não serão relevantes.

Em segundo lugar, existe numa Benfica uma necrose associativa, ou seja, o poder instalado tomou conta do clube, a ponto de suprimir toda a oposição, todo o escrutínio, todo o contraditório; este tipo de modelo, leva normalmente à discricionariedade, ao abuso impune e à prevaricação institucional.

Ao contrário do Sporting, em que toda a oposição é estigmatizada, no Benfica, a prática tem sido cativá-la, e, parece óbvio, com resultados muito mais concludentes.

Ainda muita água vai correr debaixo das pontes, muita discussão vai ser feita à volta do valor probatório da correspondência violada, até pode acontecer que muitas acusações venham a ser arquivadas, ou no limite, arguidos sejam absolvidos.

Mas, não tenhamos ilusões, nada será como dantes.

No caso apito dourado, os arguidos, embora tenham sido denunciadas as suas práticas, conseguiram (mal, em minha opinião), passar incólumes, porque lograram dissociar as pessoas, da instituição, em cujo interesse agiam.

No Benfica, o impacto institucional é devastador, porque a proximidade, e mesmo intersecção com práticas (mesmo em forma de suspeita, para já) de tráfico de influência e corrupção, levará a que o instinto de conservação das instituições, descarte, quem agora venera.

É esta a cruel lógica da sobrevivência.

Vem aí o post-Vieira.

Resta saber se lhe sucede uma primavera marcelista (ou seja, mais do mesmo) , ou uma rutura abrílica, mas isso cabe aos benfiquistas decidir.

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