O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

O síndroma Farnerud

Em 2006 o Sporting contratou um simpático sueco, de nome Pontus Farnerud, que, nos dois anos que esteve em Alvalade, passou umas magníficas férias; pouco jogou, nada adiantou e ainda hoje estou para perceber o racional da sua aquisição.

Esta prática de trazer para o Sporting jogadores que chegam e partem, pouco tempo depois, sem deixar saudades, ganhou alguns foros de cultura instalada e assume um cariz de quase normalidade e aceitação, que me surpreende.

Com efeito, em primeiro lugar, representa uma má aplicação dos recursos do clube. Um jogador custa muito dinheiro, mesmo quando anunciado a custo zero - desde que contratámos o João Pinto que sabemos isso. Em segundo lugar compromete a estabilidade do plantel, obrigando a reformulações e experimentalismos que inevitavelmente afetam a competitividade.

E é matemático, quando se muda muito a equipa, os resultados são fracos; no ano em que veio quase um contentor de anónimos, como Boulahrouz, Onyewu, Pranjic, Labyad, Jeffrén, Rodríguez, etc, o Sporting ficou no pior lugar da sua história. O ano passado foi a vez de André, Elias (bis), Douglas, Castaignos, Petrovic, Schelotto, Zeegalaar, e ficámos atrás do FC Porto e do Benfica; estes jogadores estão todos, esta época, fora do clube ou das escolhas do treinador.

Julgo que o Sporting está a vender bem e a aproximar-se, senão a ultrapassar, os níveis da concorrência; as borlas dolorosas do Bruma ou do Dier serão hoje passado. Há então agora que introduzir os mesmos critérios de eficácia e seletividade, na composição do plantel, evitando desperdícios e desilusões.

Nota: O delito de ter opinião.
Escrevo no Record já há alguns anos. Faço-o por sportinguismo e cidadania. Não tenho agenda, nem cartilha, não faço fretes, apenas me represento a mim próprio. Procuro, sem insultar nunca ninguém, transmitir livremente a minha opinião.

No artigo da semana passada, escrevi que o Sporting deveria ter sido mais pródigo na informação ao mercado sobre a contratação do Acuña - que elogiei - à luz da defesa da transparência que o clube justamente prossegue e por motivo das especulações mediáticas, que rodearam a transferência. Não imputei ao Sporting a prática, por ato ou omissão, de qualquer ilícito. Limitei-me a exprimir a minha opinião, com o mesmo direito que tem qualquer pessoa, dela discordar.

Este artigo mereceu honras de indignado comunicado da SAD do Sporting, acusando-me de atentar contra o bom nome do clube, formular insidiosas insinuações e praticar terrorismo comunicacional (!).

Os leitores que quiserem revisitar o artigo, poderão formular as suas próprias conclusões. Da minha parte, estou, como sempre estive, perfeitamente tranquilo.

Intimidado? De alguma maneira, porque não conheço ninguém que goste de ser acusado e ameaçado. Calado? Enquanto me deixarem, continuarei a escrever e a dizer o que penso, neste espaço de liberdade e pluralismo, que se chama Record.

7
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais