Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Os convertidos

çEstou à vontade neste assunto, porque sempre defendi que o Sporting era uma realidade suficientemente grande e aglutinadora para albergar modos diferentes de o viver.
Sempre fui frontalmente contra o divisionismo, o fracionamento, a separação entre os finos e os humildes, entre o croquete e a sandes de courato, os pró-visconde e os seus detratores, a bancada e o peão.

Costumava mesmo ironizar, defendendo que, se Lenine fosse vivo, escolheria o Sporting para ilustrar a excelência do grande soviete, onde as pessoas não se diferenciam, porque unidas pelo mesmo ideal.
O que mais critiquei a Bruno de Carvalho foi justamente a sua visão sectarista do clube, fomentando o antagonismo, a intolerância e, nalguns casos, mesmo a perseguição e deixando um lamentável rasto de feridas abertas.

Dito isto, há algumas evidências que cabe sublinhar. Tenho mais respeito por aqueles que se mantiveram com Bruno de Carvalho até ao fim, do que pelos que o abandonaram, depois do jogo em Madrid, quando se tornou previsível o inevitável colapso.
Por uma razão óbvia: mal ou bem, estes últimos foram solidários ou permissivos com a política de usurpação concentracionária de poderes e sobretudo da cultura de preconceito radical que foi sendo implementada.

Não os vi, quando ocorreram expulsões atrabiliárias. Não os vi, quando foi a estigmatização humilhante de numerosos sportinguistas, com a rábula dos sportingados. Não os vi, quando foi a desprestigiante assembleia geral de 17 de fevereiro de 2018, com o inolvidável discurso madurista do não leiam, não liguem, não acreditem.

Nunca os vi insurgir-se.
Não que, por essas razões, sejam menos sportinguistas do que eu. Fizeram as suas opções e quem sou eu para não as respeitar.

Custa-me, contudo, levá-los a sério, quando agora falam em unir o Sporting. Nem sequer é uma questão de coerência. Acho que, acima de tudo, lhes falta autoridade moral.

11.07.2018