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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Os filhos pródigos

O recente jogo de apresentação do Sporting contra o Marselha, teve, para mim, uma vertente particularmente preocupante.

Pela primeira vez, desde há muitos anos, apenas dois elementos oriundos da formação, Nani e Matheus Pereira, jogaram de início e, importará salientar que Nani fez a maior parte da sua aprendizagem, no Real Massamá. No decurso do jogo, só mais um jogador da casa entrou, perto do final, o Jovane Cabral.

Esta escassez dá que pensar, porque de algum modo, colide com o que foi o paradigma do clube nos últimos anos.

É evidente que a saída do Rui Patrício, do William, do Gelson e do Podence se deu por motivos extra-futebol, de todos tristemente conhecidos, estando ainda pendente a situação do Rafael Leão.

Não é desses, porém, que eu quero falar. A comissão de gestão está a fazer, nesta matéria, o melhor que pode e não vejo o que poderia fazer de diferente.

A questão é outra. Não consigo perceber o êxodo, de jogadores formados no clube, como o João Palhinha, o Domingos Duarte e o Francisco Geraldes.

Sobretudo, depois de ver a prestação de jogadores como o Petrovic e o Misic, que dão o que podem, mas que é obviamente pouco para a camisola que envergam.

Haverá com certeza razões para as opções da equipa técnica, mas confesso que não as percebo. Fico muito contente que o Bruno Fernandes, o Bas Dost e o Battaglia tenham regressado, mas fico igualmente triste, com a partida dstes jogadores, feitos em casa.

E, especialmente, com a saída, por empréstimo, do Francisco Geraldes, em quem, para além das suas qualidades de jogador, vislumbrava características para ser um futuro capitão histórico.
Neste ano, mais do que nunca, o Sporting tinha que vincar a sua faceta de melhor clube formador do mundo e, neste momento, não vejo como, nem com que jogadores.

Espero que esta situação seja conjuntural e passageira e que o Sporting se não descaracterize, nem se distancie, do que é a sua matriz identitária: formar homens, que são também grandes desportistas.

Como a parábola do filho pródigo, espero que os jogadores emprestados voltem à casa que é sua, onde, com certeza, serão recebidos de braços abertos. Se possível, que venham com valor acrescentado, se não, de nada terá valido a ausência.

PS: O Empoli é um simpático sobe e desce do futebol italiano, não tem estatuto, para disputar o Troféu Cinco Violinos; se, só se arranjam adversários destes, melhor é não haver troféu.

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