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O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Presidente não, adepto sim

Numa singular entrevista ao ‘Expresso’, Bruno de Carvalho enalteceu a sua figura de presidente-adepto, anunciando-a como o paradigma do dirigismo desportivo do futuro. Não posso estar mais em desacordo. É, justamente, esta confusão comportamental que tem conduzido à grave desagregação institucional que o Sporting presentemente atravessa. Adepto e dirigente partilham, como é óbvio, uma causa comum, mas gerem-na de forma necessariamente diferente. O adepto vive as situações com imediatismo, calor e sentimentos à flor da pele, o dirigente com perspetiva institucional, frieza e lucidez. Misturar as duas coisas tem tido os resultados que são conhecidos.

Acresce que nesta última semana, Bruno de Carvalho não tem sido nem uma coisa nem outra; é evidente que ele não jogou no Funchal, mas fez tudo o que não devia – nomeadamente a entrevista ao ‘Expresso’ – e a sua simbólica ausência para desestabilizar a equipa e desacreditar o treinador. Isso nenhum adepto nem nenhum dirigente faria.

Fá-lo Bruno de Carvalho, porque, patentemente, quer arranjar bodes expiatórios, que não ele, em caso de insucesso e quer recuperar para si o protagonismo que o treinador, por força das circunstâncias, tem adquirido nos últimos tempos.
Entre a Champions e a sobrevivência, Bruno de Carvalho não quis correr riscos e escolheu esta última.

Não tenho dúvidas que o adepto Bruno vive o Sporting vinte e quatro horas por dia e lhe dedica todo o seu empenho e diligência. Como adepto, Bruno é insuperável.

Só que não chega, porque como presidente, acumula equívocos e trapalhadas que lançam o clube para um permanente estado de instabilidade, que parece até ter um prazer quase mórbido em alimentar.
O Sporting não pode viver assim.

Bruno de Carvalho faria um favor ao clube e a si próprio se se retirasse. Nunca como adepto, mas como dirigente, que deu o seu melhor, mas não conseguiu. Servir o Sporting significa também ter a humildade de reconhecer quando é hora de dar lugar a outros.

Esse pousio daria até ao cidadão Bruno tempo e oportunidade para resolver os seus problemas familiares, que naturalmente o afetam, mas que é matéria de reserva de intimidade da vida privada de cada um e me custa ver relatada pelo próprio nas páginas do ‘Expresso’. Nesta época de defeso os sportinguistas têm de começar a pensar seriamente no pós-Bruno.
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