O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Saber dizer obrigado

Face ao passado recente do Sporting, tenho esperança que um dia destes se faça a justiça que o Paulo Bento merece.

Paulo Bento assumiu o cargo de treinador principal, vindo direto dos juniores e na ressaca da saída de José Peseiro, fragilizado por ter perdido a Taça UEFA e o campeonato no sprint final. O mesmo é dizer, com um caderno de encargos bem complicado.

Acresce que, naquela altura, os bancos impunham ao Sporting um teto de 20 milhões em termos de massa salarial da SAD (hoje ultrapassa os 60...); logo, o dinheiro era coisa que não abundava e o Paulo Bento teve, como consequência, de construir uma equipa baratinha.

Aproveitando ao máximo as potencialidades da formação, inventou Rui Patrício, Custódio, Djaló, Pereirinha, foi buscar Miguel Veloso, que estava emprestado ao Olivais e Moscavide, e recuperou jogadores como o Derlei, dispensado do Benfica. Motivou alguns que já estavam, como sobretudo o Liedson, que se converteu num profissional exemplar. Nos quatro anos e picos em que foi treinador, ganhou duas Taças, duas Supertaças e, no campeonato, ficou sempre à frente do Benfica e foi sempre à Champions.

Se tivesse havido justiça, o Sporting teria sido campeão em 2007, não fora aquele deslize imperdoável do árbitro João Ferreira, ao validar o golo do Paços de Ferreira em Alvalade, marcado com a mão.

O que eu mais gostava em Paulo Bento? A sua solidariedade e a sua frontalidade.

Solidariedade, porque se amanhava com o que havia, compreendendo e assumindo os constrangimentos financeiros do clube. Nunca o vi esticar-se ou desculpar-se com o pouco que havia.

Frontalidade, porque deu sempre o peito às balas (às vezes até demais...) quando as coisas não correram bem.

O que eu gostava menos? Porventura alguma teimosia tática, pela aposta sistemática no célebre losango, que tornava o jogo do Sporting algo previsível para os adversários. O saldo? Um bom treinador e um grande homem, que fez obra no Sporting, que saiu como entrou, sem alaridos, vedetismos ou recriminações.

Não ficará mal o reconhecimento dos sportinguistas a quem, nos bons e maus momentos, soube representar o clube sempre com dignidade e profissionalismo..

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