O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Um Jesus de honra

Quando o Filipe Soares Franco disputou as eleições contra Sérgio Abrantes Mendes, um conhecido adepto que se estica sempre nestes momentos, arregimentou várias glórias do clube, em apoio a este último, aliás, sem grande proveito, como os resultados o demonstraram.

Insurgi-me na altura contra esta prática, por entender que as glórias do clube são um ativo inalienável e intocável deste, são a sua história viva e não devem ser capturados para finalidades de campanha, porque não são deste nem daquele, são do Sporting. Este mesmo princípio deverá, em minha opinião, aplicar-se a empregados, concessionários ou quaisquer pessoas que tenham com o clube relações especiais de dependência ou de prestação de serviços essenciais. A razão é clara, a instituição Sporting deve ser protegida contra este tipo de promiscuidades, entre quem é um simples sócio e pode expressar livremente o seu apoio e quem é trabalhador subordinado, e, como tal, comprometido a servir o clube e não este ou aquele presidente em particular. Com que cara é que o Jorge Jesus vai enfrentar o Pedro Madeira Rodrigues se este ganhar as eleições?

Quem teve a peregrina ideia de convidar Jorge Jesus para integrar a Comissão de Honra de Bruno de Carvalho ter-se-á lembrado de muitas coisas, menos nos interesses do Sporting, cuja estabilidade tem sempre de ser garantida, à margem das disputas eleitorais; para mais, sabendo-se que, a rescisão unilateral do contrato de trabalho tem custos astronómicos e incomportáveis para o clube (aliás não faz sentido para quem aufere tão elevado nível salarial, e se confessa tão sportinguista, beneficiar em cima disso, de cláusulas de rescisão deste quilate). Depois há a questão da dimensão institucional. Estou de acordo que um presidente do Sporting apoie um treinador, mas tem sempre de se lembrar que o clube, que ele representa, deve estar acima desse princípio de solidariedade.

No Sporting já se chegou à singularidade de o presidente da altura se demitir, porque o José Peseiro se tinha demitido e desde então tinha alimentado a esperança – obviamente vã – que se tivesse aprendido, que o treinador depende do presidente e não o contrário.
O treinador em exercício na comissão de honra de um candidato ? Não é ilegal, mas fica tão mal...

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