Record

O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Unicórnio Clube de Portugal

Na gíria empresarial designam-se por unicórnios aquelas strart ups que, partindo do nada, atingem os mil milhões de dólares de valorização.

Foi o recente e exemplar caso da Outsystems, pensada, criada, desenvolvida e, sobretudo, sofrida, por portugueses.

Sempre achei que o Sporting, que formou jogadores que ganharam seis bolas de ouro, talentos que alimentaram a Seleção Nacional e conquistaram títulos de clubes, por esse mundo fora, podia e devia valer mais como marca e símbolo de excelência no domínio da qualificação em matéria formativa.

O Sporting tem um currículo, que muitos, dentro e fora, com muito mais meios, procuram emular, mas não conseguem.

É certo que houve tentativas dispersas de internacionalização da marca, através do franchise das escolas, mas, mau grado o esforço, feito numa base voluntarística e com fraca expressão.
Quem deu a mundo Figo e Ronaldo, e sabe formar como ninguém, apresenta credenciais que lhe permitem aspirar a voos mais ambiciosos.

E é aqui que surge a questão do unicórnio, que mais não significa, que a capacidade de porfiar por um sonho e convertê-lo em realidade, muitas vezes, á partida, improvável.

No Sporting, esse sonho, tem estado, de alguma forma, remetido para o sub-consciente; há que trazê-lo á superfície e dar-lhe asas, para se alcandorar aos patamares que merece.

Um dos grandes desafios aos candidatos, será incontornavelmente, o de dar vida ao unicórnio adormecido.

Assim se encontre o modelo de negócio, os parceiros e as pessoas que possam corporizar esse projeto.

Como é óbvio, o envolvimento das grandes figuras internacionais do Sporting e a associação da sua imagem, seria decisiva neste domínio. Só mesmo quem não quer ver, é que pode negá-lo.
Depois, há que percorrer o longo caminho das pedras, que é a recuperação do prestígio do clube, afetado na sua reputação, pelos acontecimentos de Alcochete. Para muita gente, cá e lá, o Sporting é um clube de hooligans, e, para desfazer esta convicção, será necessário mais, do que dizer que os sócios correram com o presidente.

Como na Outsystem e na Farfetch, o valor está lá. Falta o talento e ambição para soltar o unicórnio.

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