O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz

Carlos Barbosa da Cruz

Advogado
Carlos Barbosa da Cruz

Voando sobre um ninho de cucos

Vamos supor que, por absurdo, o presidente da direção do Sporting conseguia permanecer no seu lugar, bem como na liderança da SAD, apesar das deserções, do descontentamento, das rescisões e da prosápia.

As perspetivas do clube, por via da alucinante sucessão de acontecimentos – não estou seguro que aquilo que hoje escrevo, tenha atualidade amanhã – são, no mínimo, preocupantes.

O Sporting vai encarar a nova época sem atletas, sem dinheiro e sem credibilidade. Tudo isto conjugado, mais um treinador novo que custa compreensivelmente a encontrar, são a receita, para provocar um impacto devastador na performance desportiva.

Não nos iludamos, com rescisões ou sem elas, a competitividade da equipa profissional de futebol está seriamente afetada e não é num par de meses que se recupera. É este, para já, o legado de Bruno de Carvalho.

De igual modo, face ao apertar de cinto que inexoravelmente se avizinha, tenho dúvidas que o avultado investimento, que esteve por detrás dos títulos em muitas modalidades, se possa manter, o que equivale a dizer que o Sporting dificilmente logrará o mesmo nível de vitórias.

Perante este cenário, a pergunta que se impõe, é esta: o que faz correr Bruno de Carvalho? Qual a razão deste cego apego ao poder, ao melhor estilo madurista? Para mais quando, o que se perfila no horizonte, é uma gestão de austeridade, diametralmente oposta à jactância grandiloquente que é marca de água desta direção. Sem entrar no domínio da análise psíquica, que me não compete, a explicação estará no providencialismo messiânico que inspira toda a retórica brunista. Bruno de Carvalho, na alta ideia que faz de si próprio, confunde a sua pessoa com o clube e não concebe que este exista sem ele.

Mesmo que o Sporting fique a disputar o décimo quinto lugar com o Tondela ou o Moreirense (sem desprimor), tudo está bem se for sob a tutela clarividente de Bruno de Carvalho.

Todos os dias o Sporting encolhe no meio de expedientes de prestigiditação jurídica, profissões de fé no futuro – ganha as rescisões com a mesma certeza que ganhava à Doyen? – e exercícios de puro narcisismo, a que chama conferências de imprensa.

Não tenho dúvidas que um dia ou outro Bruno de Carvalho será compelido a sair do Sporting; resta saber o que, então, sobrará do clube. E, no meio disto tudo, o mais extraordinário, é que o presidente da direção, nunca, mas nunca, se tenha lembrado de pedir desculpa aos sportinguistas.

12.06.2018