o canto do morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Volto já

Não conheço pessoalmente o médico do Sporting, mas não tenho a mínima dúvida sobre duas coisas, a sua competência profissional e o seu sportinguismo.

O médico do Sporting foi expulso no último jogo contra o Porto, por protestos contra a arbitragem e arrisca-se a sofrer uma sanção das instâncias disciplinares. Mas não são as sanções que interessam para o caso, outrossim a ausência em si.

O médico do Sporting, quando está no banco, não pode ter estados de alma, tem obviamente de meter o seu sportinguismo na gaveta, porque há momentos em que não pode, nem deve, acumular os seus dois estatutos. Fazê-lo, dá, como se vê, mau resultado.

Um médico não pode, em nenhuma circunstância ser expulso, porque isso enfraquece a equipa, que fica amputada de um elemento insubstituível e precioso.

Eu sei que, noutros clubes, até há médicos que transmitem para o campo as instruções dos treinadores a jogadores que simulam lesões, mas, no Sporting isso não pode acontecer.
Estas considerações valem, mutatis mutandis, para todos os que se sentam no banco, em especial, para o treinador.

Não percebo, mas não percebo mesmo, porque é que há quem considere legítimos e justificados, os protestos do treinador contra a arbitragem; não é para isso que ele está no banco, não é essa a sua função, nem é para isso que o clube lhe paga.

Em segundo lugar, um treinador fora do banco faz falta. O Jaime Pacheco dizia, com propriedade, no ano em que o seu Boavista foi campeão, que o Martelinho corria mais, quando jogava do seu lado, e era capaz de ter razão.

Os jogadores podem não ouvir o que o treinador lhes diz, mas o simples facto da sua presença, dá uma confiança reforçada, sobretudo nos momentos críticos.

Jorge Jesus foi expulso contra o Porto e contra o Real Madrid, e, neste último caso, como ele bem reconhece, se não tivesse ido para a bancada, os últimos dez minutos podiam ter sido diferentes.

Justificar-se-ia assim um ato de contrição, não uma promessa de reincidência.
Há deslumbres que se não aceitam, mesmo provindos de alguém que legitimamente sente que tem valor.

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