Sou daqueles adeptos de futebol que percebe mesmo muito pouco de técnica e praticamente nada sobre tática. No conforto do meu sofá, bem me esforço para visualizar em campo o 4x4x2 ou o 4x3x3 mas, com raras exceções, a minha inaptidão natural nestas andanças faz-me desistir deste tipo de análise.
Por isso, nem me atrevo no meu círculo de amigos, a iniciar discussões que o Galeno devia jogar mais descaído sobre a direita, que o António Silva é melhor central à esquerda do que à direita ou que o Morata devia liderar um bloco mais alto.
Por esta razão tenho uma enorme dificuldade em avaliar a competência de um treinador de futebol, pelo que baseio fundamentalmente a minha opinião nos resultados desportivos que consegue alcançar: se ganha, é um bom treinador; se perde, é um treinador menos bom.
Vem isto a propósito de Ruben Amorim, apresentado pelo seu novo clube, Manchester United, como: Ruben is one of the most exciting and highly rated young coaches in European football. O clube inglês não hesita em classificar Amorim como um dos mais excitantes novos treinadores do futebol europeu.
Não conseguindo eu ser um avaliador eficaz das qualidades técnico-táticas de Ruben Amorim, alinho totalmente com o discurso do United sobre o seu novo treinador. Ruben Amorim foi capaz, em muito poucos anos, de agradar os adeptos do Sporting, mas também de seduzir adeptos de outros clubes, treinadores, árbitros e jornalistas de Portugal, e agora, de toda a Europa.
Amorim marcou uma nova era na postura dos treinadores de futebol de topo. É jovem, com boa figura e apresenta um discurso direto e sem rodeios. De forma genuína, mas seguramente preparada e treinada, a comunicação de Ruben será de uma enorme eficácia para os atletas que dirige, mas também para todos os diferentes consumidores do produto futebol que todas das semanas é servida nas bancadas e nos sofás de milhões de portugueses.
Há 20 anos atrás aterrava em Londres um jovem com apenas mais 2 anos de idade que Ruben Amorim para dirigir o desamparado Chelsea. Levava aos ombros uma Champions acabada de conquistar e apresentava-se numa conferência de imprensa memorável com uma postura que marcou o futebol mundial para sempre.
José Special One Mourinho dá agora lugar a Ruben Special Two Amorim. Dois treinadores diferentes para dois clubes diferentes em duas épocas diferentes.
O percurso de Mourinho foi brilhante, tendo-se tornado num dos maiores treinadores da história do futebol mundial. Aguardamos todos com ansiedade para ver como o último produto de sucesso da fábrica de treinadores portuguesa se dá por Terras de Sua Majestade.
Good luck Ruben!
Por Daniel Sá