Mais do que um jogo

Daniel Sá
Daniel Sá Diretor Executivo do IPAM

Silêncio… que começou a Liga NOS


Na época passada mais de 3,5 milhões de espectadores vibraram em 18 estádios com as emoções fortes da Liga portuguesa que veio a celebrar o Benfica como campeão. Contas feitas dizem-nos que a edição 2018/2019 atingiu uma média de assistências de 11.691 espectadores por jogo.

A matemática prega-nos, por vezes, partidas dado que se verifica que apenas cinco clubes estiveram acima da média de espectadores da Liga: Benfica com 53.824, FC Porto com 41.626, Sporting com 33.691, Vitória de Guimarães, com 18.259 e Sp. Braga com 12.035. Os restantes 13 clubes atingiram médias de espectadores por jogo entre os 8.155 do Boavista e os 2.275 do Moreirense.

As equipas que desceram de divisão: Chaves (5.550), Feirense (3.049) e Nacional (2.595) são este ano substituídos pelo Paços de Ferreira, Famalicão e Gil Vicente, que apresentaram no ano passado boas assistências na 2.ª Liga. Os números acima descrevem a dura realidade das assistências no futebol português: três clubes com médias de assistências acima dos 30 mil espectadores, dois clubes com médias acima dos 12 mil espectadores e, daí para baixo, uma realidade desoladora que deve fazer pensar os agentes do futebol.

E não, a culpa não é das transmissões televisivas. Esta é a resposta preguiçosa que tem vingado nos últimos anos por todos aqueles que procuram desculpar estes números. As tendências no futebol europeu mostram inequivocamente que as transmissões televisivas não afetam o número de espectadores nos estádios. Existem mais de 30 razões distintas que ajudam a justificar as motivações pelas quais um adepto decide comprar um bilhete de futebol.

Não vamos identificá-las todas, mas prendem-se essencialmente com fatores económicos, sociais, desportivos e relacionados com os próprios estádios. Além disso exige-se à Liga Portugal, em primeiro lugar, e a todos os clubes um esforço de marketing que permita atrair os adeptos para os estádios de futebol. Tão importante como ter dirigentes eficazes, treinadores competentes, atletas valiosos e equipas médicas eficientes, é os clubes perceberem, de uma vez por todas, a necessidade de ter também equipas profissionais na área do marketing.

Por último, tão importante como ter uma estratégia de atração de espectadores será criar um clima sereno, seguro, emocionante e de verdadeira festa do futebol onde só exista espaço para todas as coisas maravilhosas que esta modalidade tem. Espero que a Liga NOS que agora começou tenha de todos uma enorme travagem a todas as confusões que marcaram a época passada. O futebol tem todas as condições para ser o maior espetáculo de entretimento em Portugal. É este o meu desejo para esta temporada. Divirtam-se!

 

 

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