Mário Teixeira Professor Universitário

Preparar o futuro

Hoje terminam os Jogos Olímpicos e iniciam-se os balanços. É um tema sensível. Surgirão otimistas, pessimistas, realistas e lunáticos. Analisar o sucedido no Rio’2016 interessa para construirmos o futuro. Utilizaremos a objetividade dos factos quantificados, em detrimento do ‘achómetro’.

Parcelarmente, a medalha de bronze da futura Comendadora Telma Monteiro ficará na história do olimpismo. Uma coroa de louros à equipa técnica, clube e federação. Nota de destaque às federações de Atletismo, Canoagem, Ciclismo, Futebol e Triatlo, pelos desempenhos das modalidades, extensível ao Taekwondo e Equestre. Encheram-nos de orgulho, muitas sem meios adequados.

Globalmente seguimos parâmetros internacionais. Na competitividade olímpica, o sucesso é medido pelo medalheiro. Não dá jeito a alguns, mas ‘a roda está inventada’. Foi a pior posição de sempre (75.ª) no ranking oficial do Comité Olímpico Internacional, atrás de imensos países mais pequenos e mais pobres. Só recuando 24 anos descobriremos participação com menos medalhas. O Comité Olímpico de Portugal também violou o contrato-programa assinado com o Estado português por incumprimento do objetivo de cerca de 3 medalhas (25% do nível 1). O critério dos diplomas é suplementar, mas não ultrapassámos o máximo de Atenas’2004 (10). O sistema de pontos apresenta problemas. É medida não convencional, não permite a comparação entre edições e falta credibilidade à escala linear inversa (1 a 8). Dois 5.ºs lugares valem uma medalha de ouro! Não recomendável.

A maioria das federações merece felicitações pelos resultados individuais de excelência, mas o COP fracassou devido ao resultado coletivo muito abaixo das expectativas por si propagandeadas (medalhas em 6 modalidades). Adicionou, inclusivamente, um elemento de pressão aos atletas.

É possível regressarmos de Tóquio’2020 com uma prestação superior, mas precisamos de mudar a abordagem ao desporto olímpico. Existem outras soluções de sucesso. Se houver vontade, há esperança. As grandes opções para os próximos ciclos olímpicos devem garantir a competência política, a priorização estratégica, o investimento financeiro, as reformas estruturais e o alargamento da base de prática desportiva nas escolas e clubes. Portugal necessita de preparar o futuro do Desporto, com urgência, enquanto fator de desenvolvimento socioeconómico do país. Em prol do interesse nacional.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação desportiva.
  • conteúdo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão epaper do jornal no dia anterior
  • conteúdos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0