José Ribeiro
José Ribeiro Editor chefe

A eficácia do discurso

No final de nove dos 19 jogos que o FC Porto disputou esta temporada, o treinador Nuno Espírito Santo criticou de várias formas o que considerou ser a incapacidade da equipa para fazer golos. Começou por ser contundente: "exijo mais eficácia", disse após a vitória por 1-0 sobre o Estoril; depois voltou a abraçar o tema mais seis vezes, até finalmente perceber que estava a ‘chover no molhado’, optando por mostrar-se optimista: "com esta qualidade de jogo a eficácia vai surgir", vaticinou após o empate (1-1) com o Benfica. Mas enganou-se. Não marcou qualquer golo em Chaves e saiu da Taça de Portugal: "Temos de ser uma equipa muito mais contundente e eficaz", avisou em Trás-os-Montes. E fez esse mesmo alerta na véspera de empatar 0-0 com o Copenhaga.

Como facilmente se percebe, a eficácia do discurso de Nuno é nula. Quanto mais ele fala no assunto, maiores e mais dramáticas dimensões este ganha. É o tipo de advertência que tem um prazo de validade. Uma vez que existem tantas paragens nesta primeira fase da temporada, o trabalho dos treinadores não é facilitado, mas daqui para a frente, com o quadro competitivo a ser jogado a ‘todo o vapor’, a única coisa que os adeptos podem exigir é mais golos e menos ‘desculpas’.

Olhando para os números, creio que Nuno tem exagerado no número de ocasiões em que abordou este assunto. A equipa leva 19 golos marcados na Liga, exactamente os mesmos de há um ano, só que em 2015 tinha 24 pontos contra os 21 atuais. No total, os dragões conseguiram 30 golos nos 19 confrontos oficiais realizados. Está ao nível do Sporting (31), por exemplo, embora distante do Benfica (40). Em contrapartida, Nuno orienta a melhor defesa nacional (apenas 9 golos concedidos, contra 14 do Benfica e 17 do Sporting).

Os avançados do FC Porto têm falhado mais do que a conta na cara dos guarda-redes? Talvez porque não sintam a cabeça limpa. Estão sempre a ouvir a mesma ladainha de Nuno. Não é a falar muito sobre um assunto que o mesmo se resolve. É preciso trabalhar em cima dele para cumprir melhor a tarefa. E libertar os jogadores dessa pressão, na hora em que sobem ao relvado.

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