Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

A época só começa em setembro

A época vai começar e será em andamento, como de costume, que os treinadores vão formar as equipas. Antes do meio de setembro – entre o fecho do mercado europeu e dos restantes – grassa a instabilidade com a qual os técnicos convivem (que remédio) e com a qual os dirigentes vivem e nalguns casos sobrevivem entre vendas, de preferência, e uma ou outra compra cirúrgica. Claro que um mercado como o português está mais exposto, quer a vender quer a comprar, embora ninguém esteja a salvo. Gigantes como o Real Madrid ou o Manchester United têm não só umas botas para descalçar como andam no mercado, ou a tentar negócios loucos ou à procura de oportunidades. É a vida ou melhor é o futebol e que ninguém se queixe porque o negócio prospera, pelo menos num certo patamar.

Que época vamos ter? No caso português já há muitos indicadores mas é difícil ter respostas, senão exactas ao menos aproximadas, tal o grau das mudanças em curso. Desde logo há um dado que merece ser realçado: o nível de conflitualidade baixou. Não desapareceu e, com toda a certeza, subirá de tom quando a bola rolar a sério. Há um ano, convém lembrar, a mudança de Jorge Jesus da Luz para Alvalade estava fresca e os nervos andavam à flor da pele. A vida mudou e o que temos é um Sporting mais focado em si mesmo, um Benfica mais seguro e o FC Porto a tratar da sua vida, que bem precisa.

Numa análise estritamente futebolística pode-se concluir que o Benfica mesmo com oscilações parece forte, desde logo muito mais forte do que estava na mesma altura da época passada. É preciso dizer que Luís Filipe Vieira nunca se deu mal com os negócios das vendas mesmo quando não parecia aconselhável fazê las. As compras são outra conversa, mas mesmo aí o Benfica está bem mais moderado.

O Sporting se não perder ninguém – ou apenas João Mário – tem tudo para atacar o título como principal favorito. Sucede que parece difícil que todos os campeões europeus e ainda Slimani fiquem mesmo conhecendo a arte negocial de Bruno Carvalho que se prepara para juntar ao grupo um cabeça de cartaz na linha de Mario Gómez. Vai acontecer? Convém não menosprezar o presidente do Sporting.

Quanto ao FC Porto, Nuno Espírito Santo está a criar um grupo - o seu grupo, mesmo que tal signifique deixar de fora talentos como Brahimi cujo rendimento é, de facto, dado a muitas oscilações. A estrela emergente do novo FC Porto é André Silva e há um duplo significado nesse facto: trata-se de um jogador feito na academia do clube, portador da mística – o que quer que isso seja – e depois de um jogador altamente eficaz na sua posição de ponta de lança. Eis uma boa notícia para o FC Porto e para o futebol português. Agosto começou e os dados estão lançados. Mesmo que as equipas só estejam afinadas em setembro... *


Ainda Moniz Pereira

Ausente em férias não só não pude estar na última homenagem a Moniz Pereira como não li e não vi muito do que sobre ele se escreveu e mostrou. Também fui, há quase 30 anos, um desses jovens jornalistas que conheceu em trabalho Mário Moniz Pereira, primeiro na pista de tartan (verde) de Alvalade, depois na sua casa do Bairro de São Miguel em Lisboa. Guardo boas memórias. Mas não me iludo. Afável no trato, ele foi um duro, um homem muito exigente, com invulgar capacidade de trabalho, que liderou pelo exemplo e que nunca usou de paninhos quentes. Só isso lhe permitiu, como escreveu um amigo meu, fazer de rapazes da aldeia grandes campeões. Na hora da partida ouviu se um coro de elogios, mas Moniz Pereira teve a sua lista de inimigos e detractores. Venceu- os quase sempre porque, também na maioria das vezes, teve a razão, a força e os resultados do seu lado.

André Gomes

O português André Gomes que deixou excelente cartaz em Valência não chega ao Barcelona por acaso. André é um excelente jogador que o Benfica de Jorge Jesus aproveitou razoavelmente e vendeu melhor. Fez parte do ‘pacote’ de Jorge Mendes no Valencia. A sua chegada ao Barcelona, independentemente das razões sentimentais, já decorrem mais do seu mérito do que do trabalho do empresário. O treinador Luís Enrique terá visto no internacional recém campeão da Europa um jogador com o perfil de jogo do Barça. Em tese faz sentido, veremos na prática até porque as fragilidades físicas podem revelar-se um problema. O talento não. Está lá.

Nani

A boa campanha no Europeu, onde foi sempre titular, fez três golos e se revelou um jogador nuclear, devolveram a Nani um estatuto que tinha perdido. Mesmo a imagem da troca da braçadeira com Cristiano Ronaldo, que correu mundo, fizeram com que a sua performance no Valencia esteja a ser aguardada com elevada expectativa. Nani não terá sido o jogador que prometia ser, mas tem uma carreira sólida, com títulos e é hoje uma referência do futebol português. Após duas épocas em ligas menores, como a portuguesa e a turca, volta aos grandes palcos ainda que num clube instável. O Valencia espera que o português seja uma referência da Liga Espanhola. E bem precisa.

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