Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

A hora da Europa

O Benfica superou com êxito, embora não exatamente com brilho, o seu teste europeu. Hoje é o dia de os outros candidatos à Liga portuguesa entrarem em campo e, ouvidos os responsáveis, nada mudou no essencial.

Eu acho que Jorge Jesus está certo e que a sua escolha é a que faz sentido. Para o Sporting, a Liga é de facto a prioridade, ser campeão tem um grande significado para o clube – e para o próprio Jesus – e altera a correlação de forças no futebol português. Afirmar isso é uma declaração com força; se perder o impacto também será grande. A vida é assim.

O treinador diz hoje o que disse no primeiro dia, não pode ser acusado de incoerência e esse facto tem de ser sublinhado. Aliás, quem tiver memória recordará que Jesus chegou a duas finais da Liga Europa tendo também a Liga portuguesa como prioridade. No Benfica dessas épocas houve sempre rotações nos jogos europeus. A diferença, face a este Sporting, eram as soluções.

Dito isto, não acredito, nem eu nem ninguém, que os leões não queiram bater os alemães. Mesmo com algumas segundas linhas o Sporting pode seguir em frente. É preciso esperar.

O caso do Porto é mais complexo. O adversário é mais poderoso – embora esteja só um degrau acima na Bundesliga –, a equipa portuguesa precisa mais de brilhar na Europa, mesmo continuando em jogo nas duas mais importantes competições domésticas. Face ao Sporting, o FC Porto tem uma grande vantagem – é uma equipa que tem a marca da Champions, anda habitualmente entre os grandes e isso por si só não chega mas é um fator a ter em conta. Sucede o mesmo com o seu opositor. Para o Porto, jogar primeiro na Alemanha é uma vantagem, pelo menos teórica.

Em condições normais, os dois jogos de hoje, como o da Luz na terça-feira, não resolverão a eliminatória, o que obriga (e bem) os treinadores a uma planificação muito cuidada das próximas semanas. A todos os níveis: gestão do plantel, leia-se castigos, lesões, regressos. E também na comunicação interna e externa.

Estamos, afinal, a entrar na fase decisiva da época. De agora até Abril o essencial fica decidido.


O ano de Ronaldo

O golo de Cristiano Ronaldo ontem em Roma e a maneira confiante como se tem exibido nas últimas semanas – não apenas no campo – são um bom sinal para o que falta da época. Um bom sinal para o Real Madrid e, claro, para a Seleção, que só tem verdadeiramente chances no Europeu de França se o capitão estiver a alto nível. Ronaldo, pela sua natureza, gosta do confronto e, mesmo que diga que está habituado, adora ser posto à prova. É a sua natureza. A forma de se superar. Ao contrário do que vi escrito, achei-o assertivo e com grande segurança a responder aos jornalistas antes do jogo de Roma. Mas sei que alguns acharam que ele foi mal-educado. Ronaldo é assim: nunca gera consenso.

Jonas

O golo de Jonas ao cair do pano talvez tenha silenciado aqueles que acusam o avançado brasileiro de não aparecer nos grandes jogos e de só fazer golos a equipas pequenas. É certo que a estatística não joga exatamente a favor de Jonas, mas há um dado que é muito relevante quando se olha para a sua produção: Jonas é mais do que um marcador de golos. É um jogador de equipa, que constrói, que defende sempre que é necessário, que tem cultura tática e muita experiência. O Benfica sem ele é muito menos equipa.

Aboubakar

Mal-amado pelos adeptos e olhado de lado pela crítica, Aboubakar não é apenas o melhor ponta-de-lança que o Porto tem, é, na verdade, um jogador que tem feito golos, que tem evoluído e que esta época já foi decisivo em muitos momentos. Não, não é Jackson, mas vai tornar-se com José Peseiro um avançado mais completo, capaz de fazer mais golos e de criar desequilíbrios. Peseiro é muito bom no trabalho de campo e sabe que tem aqui um jogador que pode e vai crescer.

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