Contas feitas

José Ribeiro
José Ribeiro Editor chefe

A Jonas o que é de Jardel

O que o benfiquista Jonas está a fazer na corrente edição da Liga é extraordinário. Acumular 28 golos em 26 jornadas representa qualquer coisa de invulgar, tanto em Portugal como em qualquer campeonato europeu. Estes números ganham especial relevância quando os comparamos, seja com a história recente da nossa Liga, seja com aquilo que se passa, por exemplo, nas Ligas que integram o top 10 europeu.

Olhemos, primeiro, para dentro. Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos deste século, passou por Portugal uma 'máquina de golos' chamada Mário Jardel. Foi durante cinco anos o melhor marcador da Liga, com 42, 37, 36, 30 e 26 golos. Pois bem, depois dele e até à atualidade, apenas um jogador conseguiu superar o 'pior' campeonato de Jardel: Jonas. Cardozo e Jackson Martínez, por exemplo, 'só' igualaram esse registo de 26 remates certeiros. E entre outros, é bom não esquecer que andaram por cá goleadores como Acosta (22), Pena (22), Hulk (23), Nuno Gomes (24), Liedson (24), Lisandro López (24) ou Falcão (25). Mas Jonas, depois de fazer algo nunca visto no período pós-Jardel, ainda vai, certamente, ultrapassar o 4º melhor acumulado do compatriota (30 golos). Se fosse fácil já alguém o teria feito nos quase 15 anos que passaram desde o 'adeus' de SuperMário.

Vejamos agora o que se passa lá por fora. Jonas leva neste momento uma média superior a um golo por jogo. Apenas um jogador o acompanha nesta façanha, precisamente o também brasileiro Alex Teixeira, com 22 golos apontados pelo Shakhtar (Ucrânia). Mas como entretanto foi para a China, já não conseguirá manter a média nas 26 jornadas que tem este campeonato. Ronaldo em Espanha (27 em 29), Lewandowski na Alemanha (24 em 26), Higuaín em Itália (27 em 29) e Ibrahimovic em França (27 em 30) ainda podem lá chegar, ao contrário de Promes na Rússia (11 em 20), Diaby na Bélgica (13 em 30) ou Vardy e Kane em Inglaterra (19 em 30).

Se Jonas continuar tão inspirado nas últimas oito jornadas, a Bota de Ouro europeia poderá ir parar ao pé dele, como um dia acabou no de Jardel (duas vezes, uma ao serviço do FC Porto e outra a jogar de leão ao peito). Seria o regresso à Luz do símbolo máximo dos goleadores, depois de Eusébio.

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