Ouvindo o que a defesa de Ronaldo tinha para nos dizer, com uma certeza se fica: não há qualquer responsabilidade do jogador neste diferendo com o Fisco espanhol. Do que se ouviu da defesa de Ronaldo fica igualmente a convicção de que o jogador preencheu a sua declaração de rendimentos com a melhor das intenções, protegendo, afinal, o seu bom nome. Se percebemos o que realmente vai na cabeça de Ronaldo, fica a ideia de que o seu desconforto em relação ao Real Madrid tem dupla interpretação: Florentino não ergue a espada em defesa dele, o que se compreende porque não é comum fazê-lo; o clube, depois, não só não o protegeu como ele entendia que deveria ter feito como ainda tentou dissociar a sua imagem das notícias negativas. Se Ronaldo se sente desconfortável por isto, não há qualquer motivo para o estar; se não cometeu qualquer crime, será inevitavelmente ilibado.
Apesar de Ronaldo já ter manifestado que pretende deixar o Real Madrid, não será fácil encontrar um projeto à sua dimensão. Assim sendo, a leitura final conduz-nos para uma de duas hipóteses: esta sua pressão verbal não passa de uma tentativa para forçar a renovação do contrato; ou pretende mesmo sair e esbarrará então na intransigência de Florentino, tendo de limitar as suas ambições pessoais indo para um clube onde não faltará dinheiro, mas faltará o essencial para a sua vida desportiva, ou seja, a projeção mundial que lhe permite manter-se à frente de Messi. Se é verdade que o Real Madrid precisa de Ronaldo, é igualmente verdade que Ronaldo precisa do Real Madrid.
Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível
A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.
Aceder