Banho tático

Vítor Pinto
Vítor Pinto Subdiretor

Acorrentados a Nuno

De acordo com a rigorosa Liga da Verdade de Record, que escrutina o peso dos erros de arbitragem no desfecho do campeonato, FC Porto deveria estar na frente da competição com 79 pontos, mais seis do que possui atualmente na tabela. A duas jornadas do fim, e apesar de todas as contrariedades que são conhecidas, os dragões continuam a ter o melhor ataque (66 golos) e a melhor defesa (15 tentos sofridos) da prova. Como se não bastasse, olhando para a classificação dos treinadores feita pelo nosso jornal, Nuno (101 pontos) é o melhor posicionado dos grandes, seguido por Rui Vitória (99 pontos) e Jesus (96), e está perto de atingir uma série inédita de 31 jogos sem perder na 1.ª Liga. Mesmo assim, não é o fim da seca de títulos que está no horizonte portista, mas sim a ameaça de agravamento da depressão coletiva.

Quando tomou a decisão pessoal de entregar o comando técnico a Nuno Espírito Santo, Pinto da Costa não se limitou a contratar um treinador. Fez uma opção ideológica que foi ao encontro do que os sócios reclamavam, apostando no criador do ‘Somos Porto’ e prometendo o reforço da identificação do balneário com os valores do clube. O próprio Nuno teve de recorrer a alguns desenhos, mas explicou o seu plano para criar uma base vencedora através de uma equipa ‘à Porto’, enfrentando um difícil processo de crescimento. Nessa altura, há seis meses, o principal problema identificado já era a falta de eficácia do ataque. Nada mudou.

A realidade é que a SAD está acorrentada a Nuno, que tem contrato por mais um ano, sendo que na era Pinto da Costa nenhum treinador foi despedido depois de terminar a primeira temporada. Optar pela rescisão, como os comentadores azuis e brancos reclamam, obriga a refazer de raiz o projeto que o clube, através dos seus meios de comunicação, já frisou várias vezes que ainda vai a meio e só não é premiado com as faixas de campeão devido ao ‘polvo fascista’ que lhe retirou uma enormidade de penáltis. Uma ferida que o vídeo-árbitro pode sarar em 2017/18. Como até Espírito Santo avisou na sua apresentação que "ser Porto é ganhar", a chave do processo vai residir na confiança. Caso existam dúvidas , o divórcio é preferível à repetição da novela Lopetegui.
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