Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

As tais coisas que acontecem na nossa terra

Na imagem que ilustra esta crónica vê-se claramente visto um senhor bombeiro conversando agarrado ao telemóvel (com a mão esquerda), enquanto, agarrado a uma cana de pesca (com a mão direita), procura observar minuciosamente, no meio da fumarada, o funcionamento dos artefactos do festival legalizado de pirotecnia que abrilhantou o dérbi de maio em Alvalade.

As tais coisas que acontecem na nossa terra
O senhor bombeiro vira e revira os artefactos com a ponta da cana de pesca para não se queimar e também para não estragar o espetáculo e lá vai conversando, ao mesmo tempo, com a Proteção Civil de quem recebe instruções concretas: terá de verificar todas as tochas que foram artisticamente disparadas para o relvado, observar-lhes a cor de origem, interrogá-las, uma a uma, exigindo-lhes a apresentação do alvará emitido pelo Instituto Português dos Desportos e da Juventude e do Ver Se Te Avias. Concluídos os procedimentos legais e superiormente confirmada a legalidade dos artefactos artísticos, lá se prosseguiu com a função daquela noite como se nada de raro se tivesse passado. E não se passou nada de raro. Nem de condenável. São as tais coisas que acontecem na nossa terra


O sufrágio do último sábado colocou ponto final no francamente exagerado período de turbulência institucional no Sporting. Apurados os resultados, clarificou-se a situação e dissiparam-se as dúvidas que eram mais do que muitas, eram imensas. Ficou, assim, tudo explicadinho acabando-se pela força do voto com os "alegadamentes" e com as "putativas" mais os "putativos": Bruno de Carvalho é, de facto, o ex-presidente do Sporting, Frederico Varandas é, de facto, o atual presidente do Sporting, José Sousa Cintra será, mais cedo ou mais tarde, o presidente honorário do Sporting e João Benedito será, mais cedo ou mais tarde, o próximo presidente de facto do Sporting.

Quanto a José Maria Ricciardi, que foi durante anos a fio titular do cargo de ‘presidente-sombra’ de facto do clube, acabando por sofrer nas urnas uma gritante penalização com que poucos contavam, a começar pelo próprio Ricciardi, viu-se democraticamente despojado da insondável posição de ‘presidente’ e passou a ser, apenas, ‘sombra’ porque lhe aconteceu não colher votos que lhe sustentassem o anterior e singular duplo estatuto. Coisas que acontecem.

Acusado pelo Ministério Público de corromper funcionários judiciais a troco de bilhetes para a bola e de camisolas do Benfica, Paulo Gonçalves estará de saída do cargo que ocupou na SAD da Luz. Gonçalves irá defender-se fora do Benfica de tudo o que pesa sobre a sua honorabilidade. Elementar. Aliás, coisa mais elementar do que esta não há.

Recebendo esta noite o Rio Ave, o Benfica entra em ação na Taça da Liga onde, na temporada passada, fez uma pequeníssima figura. Espalhou-se ao comprido, é verdade, e logo na temporada em que a Taça da Liga, por milagre, passou a ser importante e considerada. Coisas…

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