Javier Sotomayor
Javier Sotomayor Recordista mundial do salto em altura

Bolt, um risco que vale a pena

Usain Bolt será o protagonista dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Se ganhar, o jamaicano irá certamente converter-se numa lenda maior, por todas as coisas que já fez. Bolt vai ser chamado a estar entre os melhores do Mundo.

Bolt é o melhor? Encontrar o melhor atleta da história é difícil. Há nomes que nunca vão ser esquecidos, como é o caso de Michael Phelps, com as suas 22 medalhas. Ou Carl Lewis, por tudo que representou para o atletismo e para o desporto mundial, com as suas 10 medalhas, 9 de ouro.

Acredito que quando se fizer uma votação, nenhum ganhará por unanimidade. Mas há nomes que vão sempre estar entre os primeiros lugares. É o caso de três: Carl Lewis, Usain Bolt e Michael Phelps. Mas é difícil dizer quem é o melhor.

Para se ser um atleta como Bolt, é preciso ter talento. Manter os resultados por muito tempo é impossível sem um grande trabalho por detrás e bem planificado. Por isso, Bolt arrisca-se um bocado ao ir ao Rio, mas o risco vale a pena se ele se sente bem. A tentativa de conseguir três medalhas olímpicas para o seu palmarés vale a pena. Se fosse eu, também arriscaria.

Bolt vai cumprir 30 anos em agosto. Não acredito que seja mais veloz do que já foi, mas pode ser possível que ganhe a competição. Ele já teve tempos incríveis: 19,19 nos 200 metros e 9,58 nos 100 metros. No Rio, mesmo sem ter de chegar a um recorde, pode ganhar, apesar de ter sofrido uma pequena lesão.

O problema não é assim tão grave e Bolt pode continuar a fazer os seus treinos habituais. Acredito que não tenha problemas para o Rio, mas se ficar longe dos treinos pode vir a ter. Porque, a menos de um mês dos Jogos, se ele se afasta da preparação, terá menos hipóteses. Deve estar próximo da sua melhor forma física.

No geral, o atletismo atravessa alguns momentos de crise. Menos atração e cada vez menos ‘meetings’ a nível internacional. A federação internacional terá de trabalhar na procura de mais patrocínios. A estes problemas juntam-se também os escândalos de doping que existiram. Para fazer frente a isto deve-se continuar a trabalhar, com testes fora da competição, por exemplo.

Voltando a Bolt, acho que o facto de ele dominar a disciplina nos últimos anos tem o seu lado bom e o lado mau. Num local onde seja habitual irem 5.000, vão 6.000 ou 7.000 quando ele corre. O seu carisma e sua personalidade também ajudam. Mas é verdade que atualmente o atletismo depende muito de Usain Bolt e terá de encontrar espaço para outros atletas no futuro.

Não intencionalmente, Bolt está a preparar o atletismo para o futuro sem ele. Porque nas últimas temporadas competiu muito pouco. Isso significa que os estádios tiveram de preencher muitas competições sem ele. O jamaicano compete três, quatro, acho que nunca mais de cinco vezes por ano. O resto das competições está agora sem Bolt.

Sobre os Jogos: acho que o Rio é um cenário que terá todas as condições para receber a prova, e no início tudo estará pronto. O Brasil tem pessoas muito apaixonadas pelo desporto, apoio não vai faltar. O continente está melhor nos dias de hoje e tem atletas que se vão destacando. A Colômbia, por exemplo, tem crescido muito nos últimos anos, e o mesmo acontece com a Venezuela e o Equador. Quando terminarem os Jogos, o somatório das medalhas da América Latina e Caraíbas deverá ser maior do que em Londres.

No atletismo, haverá vários momentos especiais. É claro que os 100 metros, os 200 e o 4x100 são as corridas em que Bolt pode conseguir as três medalhas de ouro. Mas também haverá uma boa rivalidade no triplo salto, nos lançamentos, em 1.500 metros, com quenianos e etíopes. E no basquetebol.

Desde 1992, quando o famoso ‘Dream Team’ dos Estados Unidos começou a competir nos Jogos, que o basquetebol é muito seguidos pelos adeptos. O Brasil também segue muito o voleibol de ambos os sexos. E o futebol, é claro. Os cubanos continuarão a seguir muito o boxe, que é o desporto que mais medalhas lhes pode trazer.

Para mim, a corrida dos 100 metros é a mais esperada de todas. Historicamente, sempre existiram grandes corredores dos 100 metros, desde Jesse Owens. Também houve o tempo de Ben Johnson, o tempo de Carl Lewis. Agora é o tempo de Bolt. Esta competição teve sempre um favorito, mas também sempre houve adversários a esse favorito, e isso torna a corrida espetacular. O dia 13 de agosto, da corrida dos 100 metros, vai ser também um dos momentos mais esperados da competição.

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