Cronistas

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Chegar a um grande

Adicione como fonte preferencial no Google

Chegaram com a missão de substituir um treinador campeão. Antes tinham feito um trabalho notável em clubes de dimensão inferior. No entanto, a sua entrada num grande coincidiu com um período de desinvestimento no plantel. E depois, com a introdução de novas ideias, conceitos táticos e opções técnicas, surgiram as resistências e comparações habituais dos adeptos que venceram com uma fórmula anterior. Existem muitas semelhanças entre aquilo que foi a vivência de Paulo Fonseca no FC Porto há dois anos e os primeiros meses de trabalho de Rui Vitória no Benfica.

A história de que basta uma estrutura forte para fazer uma equipa campeã, seja qual for o treinador, não passa de um mito. É uma questão importante, mas essa é apenas uma de muitas peças do puzzle. É preciso ligar diferentes variáveis, onde se incluem a tal boa estrutura do futebol que dá retaguarda à equipa técnica, uma política desportiva proativa, boa capacidade de scouting para detetar novos talentos e colmatar saídas de ativos, ter um plantel forte e competitivo com boas soluções e um timoneiro com capacidade de liderança e conhecimentos técnico-táticos, que consiga colocar a equipa a jogar bem, com dinâmica coletiva, espírito de sacrifício e mentalidade vencedora.

Sem que todas estas peças funcionem em total harmonia e precisão, muito dificilmente se consegue chegar ao sucesso. Cabe a todos cumprir a sua função, com liderança, rigor e exigência, porque se tal não acontecer o sucesso ficará mais longe. E como diz o ditado antigo: “não se fazem omeletes sem ovos”.

O contexto que um treinador encontra ao chegar a um clube grande pode influenciar muito do que este pode vir a fazer. O momento do clube determina o percurso. Desde logo, pelo período de aprendizagem inicial, porque a realidade de um Benfica, FC Porto ou Sporting, sempre debaixo da atenção dos mídia e altas expetativas dos adeptos, é totalmente diferente da dos restantes clubes nacionais. É por isso que Rui Vitória apresenta-se hoje com um semblante mais tenso do que nos tempos de Guimarães, porque a pressão é maior e obriga a maior calculismo e atenção.

Penso que o paralelismo com Paulo Fonseca faz sentido. O atual treinador do Braga, que refira-se, teve uma semana de excelentes resultados (vitória sobre o Marselha e empate no Dragão) e está a confirmar que tem valor, foi o primeiro a reconhecer que aprendeu imenso durante a sua estadia no FC Porto. A questão não é de capacidade ou potencial do treinador, mas sim se este chega preparado para o desafio que vai encontrar. Rui Vitória tem a vantagem de já ter passado pelas camadas jovens encarnadas, o que poderá permitir uma adaptação mais rápida.

As semelhanças ficam-se apenas pelo contexto encontrado e impacto inicial, já que o desfecho da aposta depende, como referi acima, de várias circunstâncias. Para o treinador do Benfica o desafio é este. Beber ao máximo a realidade do clube, apreender toda a envolvente e obrigatoriamente potenciar soluções diferentes da fórmula anterior, porque o novo Benfica faz da formação uma bandeira. E para isso precisa de tempo para trabalhar. Os resultados não são imediatos. Mas há também (grandes) investimentos por rentabilizar e desequilíbrios no plantel para lidar, aos quais o treinador só pode dar resposta se tiver o devido apoio de cima.

Nota: Melhor era impossível. O Sporting fez um jogo taticamente perfeito na Luz e teve uma daquelas partidas em que praticamente tudo lhe correu bem. Uma vitória histórica e indiscutível para os leões.

O Craque – Talhado para grandes momentos

Há jogadores talhados para os grandes jogos. Nesses momentos parece que a motivação está a 200% e o rendimento sobe mais do que o normal. Slimani parece ter esse bom hábito de aparecer nos jogos difíceis. Voltou a faturar na Luz, no passado também marcou ao FC Porto e apontou um golo importante na final da Taça de Portugal da época anterior. O argelino é hoje a principal referência do ataque do Sporting e promete crescer ainda mais com Jorge Jesus. Os sete golos em 14 jogos indiciam que caminha para a sua melhor época no nosso país.

A Jogada – Noite de glória de Carvalhal

Carlos Carvalhal está a mostrar serviço no Sheffield Wednesday, da segunda divisão inglesa, competição extremamente competitiva. A fazer um campeonato positivo e, para já, com possibilidades de lutar pela subida, o treinador português está a ser a sensação da Taça da Liga inglesa. Depois de eliminar o Newcastle na ronda anterior, surpreendeu agora com a vitória sobre o Arsenal de Arsène Wenger por uns expressivos 3-0, com o contributo do português Lucas João, que marcou um golo de belo efeito. Uma noite de glória e um bom arranque de Carvalhal em Inglaterra.

A Dúvida – Falta provar os factos

Para poder ser ouvido em Portugal, o ex-árbitro Marco Ferreira teve de dar uma entrevista a um jornal espanhol. Um circuito um pouco mais longo do que o necessário. A questão aqui é que existe uma denúncia que deve ser apurada pelas autoridades competentes, quer estejamos a falar de um caso de difamação ou de coação. Há concretizar e mostrar provas dos factos. Para que todos os adeptos do futebol ficassem melhor informados, sem ficarem limitados ao “diz que disse”. Será que o caso terá resolução?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade