Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Dores de crescimento ou problema de mentalidade?

O Sporting quase empatou com o Real Madrid depois de quase ter ganho em Espanha. Contra o Borussia de Dortmund – e sem ironia – o Sporting perdeu, mas no jogo jogado podia ter tido melhor desempenho. Em resumo o Sporting está fora da Champions, com o dano financeiro que daí resulta, mas podia estar na competição.

Jorge Jesus faz notar que a equipa esteve sempre bem, no plano tático, na qualidade dos movimentos, nas soluções apresentadas. Parece verdade e talvez seja. Como verdade será que é difícil explicar os golos sofridos este ano em Guimarães, após um domínio avassalador. Talvez seja já mais fácil explicar o que sucedeu na parte final da época passada quando o Sporting, que chegou a ser líder destacado e campeão anunciado, sucumbiu à pressão, não matou o jogo (igualmente) em Guimarães e perdeu com o Benfica em casa, o tal Benfica que Jorge Jesus acusou então de ter mentalidade de equipa pequena.

Ora, se há um traço que tem distinguido os grandes de Lisboa nestas duas épocas – e a atual está longe de estar fechada – é precisamente a mentalidade, mesmo quando esta está acima de tudo sustentada no pragmatismo. Nesse plano, com inteira justiça, Rui Vitória, tem sido melhor e mais eficaz do que Jesus.

O Sporting, clama o treinador, está numa fase de afirmação e crescimento. Dentro de portas e a seguir na Europa. Num plano global não há discussão. O Sporting foi um clube perdedor muito tempo e o que Bruno de Carvalho fez, até com a contratação do atual treinador, foi devolver essa ambição e afirmar o Sporting como uma potência. Na equipa de futebol o Sporting de Leonardo Jardim, ou até de Marco Silva, eram muito mais equipas em construção, no sentido de serem equipas jovens, do que o Sporting de Jesus.

A equipa atual tem dois puros-sangues como Gelson e Rúben Semedo, mas eles estão enquadrados por jogadores experientes como Patrício, Bryan Ruiz, Adrien, Bruno Cesar ou até Bas Dost.

O Sporting que quase ganhava ao Real Madrid – e mais –, o Sporting que tem vacilado nas provas internas, tem de perceber onde está o processo de maturação da equipa e qual a componente que tem a ver com a mentalidade. Serão estes jogadores capazes de ganhar? Por que motivo sucumbem à pressão ou são incapazes de se superarem? Essa questão é complexa porque remete também para o ecossistema do clube, mas é uma reflexão que tem que ser feita.

As equipas de Jesus, fosse qual fosse o patamar, nunca se caracterizaram nem por falta de ambição, nem por incapacidade em concretizar objetivos. Umas vezes conseguiram, outras não até de maneira inglória. O que não vale a pena é enfiar a cabeça na areia e achar que correu tudo bem e que apenas por falta de experiência não se atingiu o ponto pretendido. 

Que bicho mordeu ao Benfica?

Manuel Estiarte, o principal conselheiro de Pep Guardiola, tem uma explicação para algumas goleadas inesperadas que às vezes acontecem quando se defrontam duas potências. "Há equipas que só estão preparadas para vencer. E quando num desses jogos sofrem um golo e ficam em desvantagem, parece que tudo se desmorona. Não estão preparados para perder. Convivem mal com a ideia da derrota. Ficam em pânico. Foi por isso que o Barcelona ganhou 6-2 no Bernabéu, que o Bayern goleou o Barcelona por 4-0 ou que o Brasil foi esmagado em casa pela Alemanha, por 7-1. Uma equipa mais modesta, sim, pode estar em desvantagem e ao mesmo tempo manter o equilíbrio emocional." Não é que o Besiktas seja uma equipa propriamente modesta, mas a forma como se ergueu perante um Benfica que estava a ser tão superior é a prova de que, pelo menos, a equipa de Quaresma estava preparada tudo. O apagão do Benfica, esse, será sempre um mistério.

Conte

O italiano Antonio Conte é, para já, o treinador sensação da Premier League. Conte não é um treinador qualquer. Fez um grande trabalho na Juventus - onde a vida não será difícil, é verdade - e a Itália, que ele dirigiu, era uma Selecção muito interessante do ponto de vista do plano de jogo, mesmo sem ter o talento de outros tempos.
No Chelsea, traumatizado por uma época negra, Conte inovou tacticamente e quase com os mesmos jogadores colocou o clube a jogar um futebol excitante e muito eficaz. Mourinho já é passado.

Ancelotti

Campeão em todos os países em que trabalhou - à excepção de Espanha onde fica na história por ter ganho a décima Champions com o Real Madrid, o italiano Carlo Ancelotti aterrou está época no porto seguro que costuma ser o Bayern de Munique.
A equipa arrancou bem, com o domínio habitual mas tem vindo a perder embalagem e Carletto está na mira dos adeptos. Pep Guardiola também foi visado, mas mais pelos barões do clube.
O italiano tem uma grande experiência é uma grande calma na gestão de crises. Diz se aliás que ele, mais do que um treinador é um grande gestor. Uma vez mais está a ser posto à prova.

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