Franz Beckenbauer

Franz Beckenbauer
Franz Beckenbauer

Final promete emoção

A vitória de França por 2-0 sobre a Alemanha foi um jogo emocionante e digno de uma meia-final. Foi, de longe, o melhor encontro do Europeu. Os bleus mereceram ganhar porque os alemães cometeram dois erros e desperdiçaram uma boa quantidade de oportunidades. Logicamente, a euforia rebentou no país anfitrião e para a Alemanha é uma pena.

O capitão germânico, Bastian Schweinsteiger, fez um grande jogo, considerando todas as lesões que sofreu este ano. Mexeu-se bem e não foi por sua culpa que a Alemanha foi eliminada. Mas ainda me pergunto porque é que ele, contra a França, e Jerome Boateng, nos quartos-de-final contra a Itália, saltaram para fazer um corte com a mão no alto. Em ambos os casos, a ação acabou por dar penálti. O perigo de provocar uma grande penalidade é muito alto se alguém tentar bloquear um remate de cabeça com as mãos em cima. Não sei de onde vem esta moda. Foi especialmente amargo que desta vez o penálti tenha sido justamente antes do intervalo. Colocou França com o vento a favor.

O mais decisivo para mim foi que a Alemanha teve de substituir, antes do jogo, vários jogadores-chaves, um por linha. Mats Hummels na defesa, Sami Khedira no meio-campo e Mario Gómez no ataque. Além disso, tudo se complicou no minuto 60, quando a Alemanha estava a lançar-se à baliza francesa em busca do golo. Boateng lesionou-se e a Alemanha perdeu a ordem. Já não havia maneira de o compensar e Antoine Griezmann deixou tudo claro com o 2-0.

Apesar de tudo, o facto de perder contra o anfitrião e um dos grandes favoritos nas meias-finais não tem de ser um duro revés para esta jovem Alemanha. Pelo contrário. Mesmo com todos os handicaps, fez um grande jogo.

Isto não minimiza em nada a exibição da França e, sobretudo, a de Griezmann. O futebolista do Atlético Madrid é, de longe, o mais surpreendente do torneio, e não é só por ser o melhor marcador com seis golos. É porque os marca com a precisão de um relógio. Além disso, é incrível que seja capaz de não cometer qualquer erro na frente. Enquanto Cristiano Ronaldo, a estrela de Portugal, foi de menos a mais no torneio, Griezmann esteve sempre aí. Desde o primeiro jogo.

Já tinha dito antes que o vencedor da meia-final entre a Alemanha e a França ia ser o favorito na final de Paris. Mas Portugal está no jogo decisivo por direito próprio e tenho a certeza de que não será um passeio para a França. Os lusos têm, ainda por cima, mais um dia de descanso, algo que pode fazer a diferença.

O golo de cabeça de Cristiano Ronaldo para fazer o 1-0 na meia-final contra Gales – a equipa revelação do Europeu – é um dos momentos que serão recordados. Como se elevou, como parou no ar. Costas e pescoço rígidos para dar potência à bola. Não se pode executar melhor. Não verão algo assim em todo o Mundo.

Recordo um dia em que me encontrei com Alex Ferguson, o treinador-lenda do Manchester United, quando Cristiano Ronaldo ainda jogava em Inglaterra. Sir Alex disse-me: "Franz, não podes imaginar um jogador que trabalhe mais do que Cristiano Ronaldo. Todos os dias, antes ou depois do treino, treina corridas e remates. Quando se junta talento, vontade e trabalho duro, é quando tens um jogador de classe mundial."

Tal como Cristiano Ronaldo, Portugal foi melhorando jogo a jogo depois de um início cinzento. Já no 3-3 com a Hungria, que permitiu aos lusos avançar como terceiros do grupo, o craque do Real Madrid brilhou com um golo de cabeça e outro de calcanhar. Talvez ainda tenha uma palavra a dizer no Europeu. Sobre o papel não há nada que uma defesa possa fazer para o travar, a não ser mantê-lo longe da baliza.

O meu Bayern Munique está, de certeza, a celebrar a grande forma de Renato Sanches. É incrível como pode dominar o jogo com 18 anos (ou os que tiver). Na meia-final talvez tenha baixado um pouco o nível, depois de toda a conversa e discussão sobre a sua idade. Foi a primeira vez no torneio em que me fixei realmente nele e estou certo de que na final vai elevar o nível. Vamos desfrutar de uma grande e emocionante final.

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