José Ribeiro
José Ribeiro Editor chefe

Há quem pense nos jogadores

Só um ex-jogador para pensar nos jogadores. Rui Costa, apesar de vestir agora o fato de dirigente, não esqueceu as necessidades dos futebolistas de elite e por isso lançou um alerta que, infelizmente, deverá resvalar na indiferença de quem olha para os profissionais apenas como um meio para atingir o fim desejado: ganhar muito dinheiro. Disse o administrador da SAD benfiquista que esta Taça das Confederações não faz qualquer sentido na forma em que está organizada porque implica, em princípio, a impossibilidade dos jogadores terem um descanso normal durante três anos.

Vejamos: os que foram ao Europeu, há um ano, tiveram quase todos (houve honrosas exceções) pouco mais de duas semanas de descanso entre a final do evento e o regresso ao trabalho. Vários (a maioria) desses mesmos futebolistas vão passar este ano pelo mesmo, pois os últimos desafios da prova ocorrem quando as equipas (quase todas) já estão a preparar a temporada 2017/18. Significa que os treinadores vão pedir o habitual encurtamento do período de férias. E se Portugal chegar ao Mundial’2018, dentro de doze meses a história repete-se.

Ora, os futebolistas de elite estão quase todos sujeitos a épocas em que têm de fazer perto de 60 jogos (entre clubes e seleções). No final, em vez de descansarem 30 dias, muitos não gozam sequer 20. Bem me podem dizer que eles ganham muito e que só vão trabalhar cerca de 15 anos. Mas isso não altera o ponto decisivo: sem o devido descanso, o rendimento deles não irá ser o esperado. Basta ver como se arrastam pelos relvados, basta analisar o aumento de lesões. Um exemplo simples, o de Portugal. Vejam os problemas físicos que ao longo deste ano sofreram Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho, Adrien, Rafa, Nani ou Ronaldo. E por outro lado, o que me dizem dos desempenhos de André Gomes, William, Renato Sanches, João Mário ou Éder? Pois é, ‘meia’ Seleção andou a ‘sofrer’. Vamos ver se para o ano não será mais do mesmo…

Quem contornou bem esta questão foi Löw. O selecionador alemão deixou fora da Taça das Confederações a sua constelação de estrelas. Para as ter no ‘ponto’ dentro de um ano, no Mundial.

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