Por força da lei

Ricardo Costa
Ricardo Costa Prof. Direito Univ. Coimbra

Incendiar e escapar

É cíclico e reiterado. Quando as baterias começam a aquecer, as comunicações profissionais dos grandes clubes de futebol arrancam para o terreno e fazem por justificar os seus encargos, partindo do princípio de que as suas funções também ganham títulos e as múltiplas plataformas estão disponíveis para lhes dar eco. Os tempos mudaram muito desde os tempos do "terrorismo verbal" quase primitivo dos presidentes e treinadores beligerantes (mais ou menos difundido pelos jornalistas de confiança, num país a preto e branco de que já poucos se recordam) até às novidades modernas dos "mind games" do estrangeirado José Mourinho (depois imitados, com arremedos mais ou menos desajeitados aos focos dos holofotes, e fonte de aprendizagens para dirigentes e assessores com vontade de superar a escola antiga). Agora são as redes sociais que entram em jogo com as "contas" associadas aos clubes ou travestidas de "designações" – depois ampliadas pelos adeptos radicais e/ou comprometidos e/ou alinhados – e os "comentadores" dos programas de "análise" de futebol (analítico, portanto). Nos conteúdos quase sempre a arbitragem, muitas vezes os protagonistas dos "outros", tantas vezes a justiça desportiva. Até chegarmos aqui muita reputação se tentou afundar, muito escárnio se destilou, muito emissário se colocou a insultar, muita honra se visou denegrir, demasiada coacção, expressa ou encapotada, se generalizou. E tantas acções colocadas em tribunal, algumas só para intimidar e atemorizar os vindouros…

Agora diz-se que é preciso parar com a situação. É tarde. Os processos até irão existir e as sanções podem vir a surgir. Mas com carga punitiva sem relevo (ou será que alguém nos surpreenderá?) e prevenção geral diminuta. Soluções? Muito simples: perda de pontos para situações objetivas e exemplificadas; suspensões efetivas com restrições claras na competição desportiva e penas pesadas para os incumpridores dessas restrições; inelegilidades dos dirigentes com suspensões acumuladas para serem gerentes e administradores das sociedades desportivas; impedimentos para a inscrição de atletas e técnicos. Difícil? Claro, enquanto forem os clubes (ou os cérebros jurídicos da Liga, pensadores exímios dos "fins das penas") a "legislar", a FPF a deixar afundar e o Estado demissionário a assobiar para o ar e portador anos a fio de "discursos" escritos para Word tamanho 24. Com espaçamento duplo.

Pois! É difícil. Diria inverosímil. Mas seria ainda mais animado!!!

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