Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Jesus apareceu-me esta noite

No verão passado foi o que se viu: Jorge Jesus dominou todas as atenções, abriu os noticiários, esteve nas primeiras páginas, foi (per)seguido dias a fio. Vencedor enxotado pelo Benfica, regressou a ‘casa’, leia-se ao Sporting, onde o brilho da sua estrela se impôs. Será Jesus campeão? Ficará em segundo?

Bruno de Carvalho, com evangélica paciência, explica que tal não interessa, o importante é "o projeto" e o treinador é a chave do projeto. Notícias de ontem dão conta que as coisas estão a correr tão bem, tão bem, que Jorge Jesus até pode prolongar o contrato e em vez de mais duas épocas ficar talvez outras tantas. Mas eu, modesto cronista, tive algo entre um sonho, uma aparição, um pressentimento. Não lhe chamaria um exercício analítico, porque a realidade é totalmente diferente.

Nesse mundo paralelo há apenas uma real possibilidade: Jorge Jesus é campeão pelo Sporting, cumprindo o que prometera – o clube esteve na luta até ao fim e ganhou. Cumprida a declaração de intenções anunciada no início da época, o treinador encontrará uma forma, que com Bruno de Carvalho nunca será amigável, de se fazer à vida e entrar pela porta grande do FC Porto. Teremos polémica? Por certo. Jesus adora, como ele próprio confessa. Pinto da Costa contrata o treinador tricampeão, reassume o protagonismo perdido, ataca os dois rivais de Lisboa e cumpre – dizem – um sonho antigo.

Na aparição com que fui, chamemos-lhe por conveniência de termo, abençoado, não é indiferente ser campeão ou ficar em segundo. Não ganhar não diminui Jorge Jesus, mas objetivamente é um revés. Perfeito, perfeito era fechar o ano com mais uma festa no Marquês mas este ano em tons de verde.

É claro que quando acordei fui, já não abençoado, mas confrontado com a realidade. E se é certo que no quadro que temos o treinador evita falar do futuro, por contraste com o presidente do Sporting, e Pinto da Costa faz o seu papel, dizendo que a ideia é boa mas não está em cima da mesa, não é menos verdade que este é o tempo do jogo de sombras. O dinheiro, ao contrário do que possa parecer, não será um problema. Para Jesus é muito importante desde que tal não implique ir para a China e, quando o assunto é sério o dinheiro sempre aparece. Como se viu no verão passado.

Hoje, 21 de abril, tudo isto pode parecer estranho. Veremos daqui a dois meses.


Uma novela para durar

José Mourinho vai ser o novo treinador do Manchester United? Para a pergunta mil vezes repetida todos os dia há resposta (s) e com detalhes. Que sim, que já indicou jogadores, que escolheu casa, que terá Alex Ferguson renitente ou mesmo contra, mas os donos milionários a favor. E no dia seguinte que afinal o destino pode ser Paris, que ao PSG já não basta o domínio dentro de portas e tarda em afirmar-se como uma potência europeia.
Nada se pode apontar a José Mourinho. As declarações públicas são irrepreensíveis, apenas expressou o desejo de ficar em Inglaterra, explicando ser uma opção desportiva e também familiar. Desportiva porque quer uma liga difícil e competitiva, familiar porque os Mourinho adoram Londres.
Ainda assim é bom que tudo isto se esclareça. Louis van Gaal pode ter mau feitio, mas é alguém demasiado importante na vida do treinador português para estar sujeito a este vexame diário.


Pellegrini. O discreto e elegante Manuel Pellegrini não perdeu a compostura, mas falou claro: o anúncio da contratação de Pep Guardiola pelo Manchester City foi prejudicial para a equipa e tirou-a da rota do título. Colocando-se fora da equação, o chileno lançou uma dura crítica à armada espanhola que manda no futebol do clube. Nas entrelinhas é possível ver o seu desconforto, mesmo de bolsos cheios. Não escolheu um momento qualquer para o fazer: o City está nas meias-finais da Champions e pode fazer história. Seria uma saída pela porta grande. 


Guardiola. Se é certo que o anúncio precoce da mudança de Guardiola causou perturbação em Inglaterra, também não foi exatamente bem recebido na Baviera. O problema não foi tanto a saída, foi a forma como tudo aconteceu. É certo que Pep jogou limpo e que neste momento é o único treinador na Europa a poder fazer o triplete – ganhar a Champions e as duas principais competições internas. Ganhe ou não, e mesmo tendo estado sempre debaixo de uma crítica cerrada de alguns históricos, Guardiola deixará a sua marca no Bayern tal como já deixara em Barcelona. Não é coisa pouca.



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