Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

O Benfica numa encruzilhada

Mesmo jogando objetivamente pior que os seus rivais, muito pior nesta fase de arranque, o Benfica está mais do que a tempo de ser campeão em Portugal. A Liga é longa, a diferença pontual escassa, a resiliência da equipa conhecida e, assim sendo, tudo está em aberto.
Enganam se os que internamente atiram a toalha ao chão ou os que, vendo de fora, retiram já o Benfica da equação.

Mas que não haja ilusões quanto ao essencial.
Mesmo que ganhe internamente o Benfica falhou em toda a linha no planeamento da época, reforçou se de forma errática e atabalhoada, a "estrutura" - outrora famosa - aparentou a solidez de um castelo de cartas e o treinador revelou pouca firmeza quando, com justiça pelo que tinha alcançado, dispunha de margem para conduzir o processo com autoridade. E podia tê-lo feito sem abdicar do tom conciliador que é apreciado por Luís Filipe Vieira e sem descurar o talento produzido dentro de casa. O que temos, aliás, de novo na equipa é o lançamento de três jogadores dois deles literalmente criados na Academia do Seixal.

O que se passa na Europa é pior. Vejo os mesmos responsáveis e os
ventríloquos contentes, contentinhos, porque deram boas indicações e, num jogo de tudo ou nada, complicaram a vida ao Manchester United. Na verdade perderam. Mourinho, que é sempre pragmático, nos dois jogos com o Benfica foi ainda mais: fartos elogios públicos, providencial cinismo "privado". Jogou só o que precisava de jogar para ganhar. Não será isto evidente? Agora ainda se fazem contas, quem sabe se matematicamente a Champions ou talvez a Liga Europa. O dinheiro vai fazer falta, mas falhar um ano pode acontecer.

 Mais grave que o momento - uma das frases feitas do futebol é que não se pode ganhar sempre - é o contexto actual do Benfica. Por certo é necessário prudência na análise e deve ser evitado qualquer julgamento na praça pública. Como sei o que isso é trata se de um comportamento que não tenho. Mas não ignoro os indícios conhecidos ou não deixo de ter opinião sobre alguns silêncios que falam por si.

Os indícios são fortes, a investigação é sobre temas muito sensíveis como as nomeações e a classificação dos árbitro e, no limite, o Benfica pode arriscar uma pena de descida de divisão.
Vale a pena pensar que situações semelhantes (não iguais, mas semelhantes) já sucederam noutros países.

E em geral, não sobre este caso, devemos ter em conta que a Justiça tem hoje um padrão de comportamento diferente, na fase de investigação e na fase de Julgamento, até pela pressão social. Há muitos exemplos.


 
A ALIANÇA PORTO-SPORTING
Pinto da Costa não fala sobre o tema, mas deu um sinal poderoso : a presença na Tribuna de Alvalade; Bruno de Carvalho sem ser acintoso (e ele é muito capaz de o ser) deu um sinal claro que a aliança FC Porto-Sporting pode ser um tema incómodo. Desvalorizar publicamente uma aliança, que é sobretudo uma aliança anti-Benfica, é lógico do ponto de vista da comunicação, mas não muda o essencial. Os dois clubes têm estado alinhados e têm vantagem em estar alinhados, agora ainda mais com o Benfica debaixo de uma enorme pressão da justiça com a exposição mediática que daí decorre.

Bruno de Carvalho que conhece a história sabe, no entanto, que o Sporting sempre foi instrumental na longa guerra Porto-Benfica. Em nome da emancipação leonina é necessário mudar a correlação de forças. Mudar mesmo. Não chega anunciar a inexistência de uma aliança. É bom que o Sporting tendo boas relações institucionais (e deveria ter com todos) corra em pista própria.


LUKAKU - Foi uma das contratações mais caras da época e entrou a todo o vapor - 11 golos nos primeiros jogos e um coro de elogios antes de uma seca que vai já em seis partidas.
Lukaku, apesar do seu ar de gigante é pesado, é um miúdo de 24 anos e quando foi visado há dias pelos adeptos do United José Mourinho saiu energicamente em sua defesa. O português pode ser menos afectuoso à vista que os excêntricos Jurgen Klopp ou Antonio Conte, mas sabe que defender um jogador num momento limite é a base de uma relação de confiança.

GRIEZMANN - O desconcertante avançado francês de raízes portuguesas Antoine Griezmann, que saiu do Euro 2016 como uma primeira figura, está a lutar para se manter como um jogador de referencia numa época demasiado oscilante do Atlético de Madrid. Supostamente pretendido por vários grandes emblemas, do United ao Barcelona, o francês tomou a decisão, também emocional dado o facto do clube não poder inscrever jogadores, de permanecer em Madrid. Como no futebol não há gratidão agora está debaixo de fogo.

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