Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

O essencial para o Sporting

A assembleia geral do próximo sábado é muito importante para o Sporting, para o presente e para o futuro do Sporting, mas não é ‘histórica’. Haja o que houver, o clube, que tem mais de um século, continuará, o caos não está iminente. Mas também não existe, a ver se nos entendemos, nenhuma chantagem ou ultimatum. Há uma clarificação que surge no contexto conhecido e que seria desnecessária se o processo tivesse sido conduzido de outra forma pelo poder vigente, porque para a oposição – que não está tão tão pouco organizada como se quer fazer crer – a barafunda é magnífica.

Tenho defendido nestas páginas, e argumentado julgo que com consistência, que Bruno de Carvalho deve continuar como presidente, que o trabalho e os resultados em todos os planos, incluindo o futebol, falam por ele e que uma saída de cena lançaria uma enorme instabilidade sobre o clube numa altura muito delicada da época desportiva.

Não tendo qualquer informação privilegiada, creio que uma maioria esmagadora dos sócios do Sporting votará a favor da alteração dos estatutos e dará um voto de confiança à direção, evitando que o clube mergulhe numa fase de contagem de espingardas que faria lembrar os piores tempos do Sporting.

Aqui chegados, também me importa pouco discutir, outra vez, o estilo ‘agressivo’ de Bruno de Carvalho, que compreendo (e com o qual concordo) em muitas questões – dos vouchers aos emails – e do qual discordo em matérias como, para dar exemplos concretos, os escritos sobre Rui Santos ou Pimpinha Jardim. Tendo um muita importância como comentador desportivo e outra reduzida importância como comentadora social, o presidente do Sporting tem que conviver com a crítica, faz parte da função, mesmo – sendo ou não sendo o caso – essa crítica injusta ou até maliciosa. Bruno não se pode defender? Sim, por certo mas não como o tem feito, com os termos com que o tem feito.

Estas questões, sendo secundárias mas não irrelevantes, só contribuíram para criar ruído à volta do presidente numa bola de neve, que, no limite, pode fazer com a assembleia caminhe para nova arruaça como sucedeu a 3 de fevereiro.

A condução dos trabalhos é um ponto chave da reunião magna de sábado, mas BdC, com os seus nervos à flor da pele, deve pensar dez vezes e estar preparado para todo o tipo de provocações. O seu discurso belicista não o ajuda. E ser firme, se houver um clima de confronto (de ideias), é muito diferente de ser agressivo.

Se ganhar, como julgo que ganhará, deverá reflettir sobre a estratégia de comunicação. Não se trata de mudar a sua essência, sim de afinar o foco. Nem tudo é importante, só muito pouco é essencial. O que está em causa é o futuro do Sporting.



Há uma notícia ainda pior: falta a 2ª mão

Se fosse possível, Sérgio Conceição teria enviado logo ontem à noite um pedido para a UEFA a solicitar dispensa do jogo que o FC Porto ainda terá de fazer em Liverpool, a 6 de março. Já se viram acontecer coisas que até aí pareciam impossíveis, mas não haverá neste momento uma só alminha disponível para apostar 1 cêntimo na reviravolta desta eliminatória. A planificação do jogo em Anfield deve ser um pesadelo para Sérgio Conceição. Fazer o quê? Que ‘chip competitivo’ deve ser ‘passado’ aos jogadores que entrarem em Anfield? E o que se lhes pode exigir? O que será preciso fazer, afinal de contas, para ainda se conseguir salvar a face? São estes os dramas – tantos – do técnico dos dragões.
Mais uma pergunta, a última: o que aconteceu, afinal, para as fragilidades do "FC Porto europeu" terem ficado expostas de maneira tão flagrante e logo perante os seus adeptos? Há sempre várias razões, em sobreposição, para justificar um tombo assim. Neste caso, o pecado capital de Sérgio foi ter trocado os pedais: quis acelerar onde era preciso travar.


Manchester City. A demonstração de força e poder do Manchester City em Basileia é um aviso sério – se é que era necessário – sobre as reais possibilidades da equipa na Champions desta época. O que impressiona na nova obra de Pep Guardiola não é o estilo de jogo (já conhecido) mas o vigor físico e a capacidade que a equipa tem vindo a evidenciar para superar lesões importantes, embora não duradouras. O desafio é manter o ritmo até ao fim e aí o catalão, com o Bayern e a época passada com o City, falhou sempre.

Tottenham. O Tottenham só não é a equipa menos inglesa de Inglaterra porque existe a magia do City. No entanto, curiosa ironia, tendo um futebol muitas vezes de passe curto e bola no pé, a equipa tem muitos jogadores britânicos só que moldados a uma ideia de jogo do argentino Mauricio Pochettino. Em Turim, o Tottenham deu uma lição à Juventus e entra como favorito no tira-teimasde Londres, mas tem que ter em conta a experiência e o cinismo dos italianos.




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