Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

O Governo acha sempre que não há problema

O Governo acha que não há nenhum problema com o futebol em Portugal.
é de hoje. Ao Presidente da República ainda se ouvem uns apelos ao bom senso, mas ao executivo nada. Este Governo, terá os seus méritos, mas especializou se na táctica da avestruz. É uma marca. Nunca há azar e, quando este acontece, logo se vê.

O Secretário de Estado do Desporto (e da Juventude) a quem não se conhece qualquer currículo na área - é um gestor que foi vereador sem pelouro na Câmara Municipal de Viseu - disse ontem, perante nova escalada de confrontação verbal, que vai da comparação com gangsters a acusações de chico espertice, labrego ou aldrabão, que "há aqui um tremendo equívoco. O Governo intervêm diariamente, nós temos uma relação com a Federação Portuguesa de Futebol, com a Liga de Clubes permanentemente, temos grupos de trabalho ..."
Ou seja se há grupos de trabalho podemos estar descansados. Mas, como se não bastasse esta declaração no mais robusto politiquês, João Paulo Rebelo ainda nos descansou mais explicando - "refiro me ao trabalho quotidiano, ao trabalho de acompanhamento, de monitorização, um trabalho de exploração, efectivamente, de, enfim, de alterações até legislativas".
Repare, leitor, o Governo monitoriza esta loucura instalada e explora eventuais aborrecimentos participa, presume se nas alterações aos regulamentos. Com a eficácia que se conhece.

Enquanto o futebol em Portugal está a ferro e fogo, com os principais dirigentes irresponsavelmente a produzirem todos os dias declarações que potenciam os piores sentimentos dos adeptos, com os canais de televisão atacados de programas que são verdadeiras armas de arremesso, largando mentiras e calúnias em muitos casos, os responsáveis do Governo talvez considerem que é tudo um grande exagero (quiçá dos media) e que tudo está na paz dos anjos.
É vê los nas galas ou nas apresentações dos eventos, sempre em bicos de pés para acorrerem ao palco, enquanto a casa pega fogo. Em Portugal, ao contrário por exemplo da Grécia, ainda não entraram dirigentes armados em campo. Ou foram presos por serem traficantes de droga. Mas não ver que há um clima instalado sem paralelo em nenhum outro sector da sociedade é não perceber que temos um problema grave.

Sabe, senhor secretário de estado, já morreram pessoas, há casos entregues à justiça (e sobre esses deve a justiça pronunciar se) mas talvez seja tempo de o Governo trabalhar com a Federação e com a Liga e ser mais proactivo. De que é que o Estado está à espera para tomar uma posição?



DOIS FAVORITOS COM CREDENCIAIS

Os inúmeros jogos amigáveis da última semana forneceram muitos dados sobre os finalistas do próximo Mundial. Nem todas as equipas e todos os Seleccionadores tiveram a mesma abordagem, houve quem fizesse um número significativo de experiências enquanto outros preferiram afinar o onze que, no essencial, está definido. Os dois casos mais impressivos são Espanha e Brasil que, não só ganharam os jogos contra adversários (mais ou menos) fortes como mostraram solidez e versatilidade. No Brasil a equipa está feita, falta "apenas" encaixar de novo Neymar e o astro do PSG dará ao escrete mais poder ofensivo, capacidade concretizadora e - não é um detalhe - capacidade para intimidar os adversários.
A Espanha parece uma máquina perfeita em modelo canivete suíço, há múltiplas soluções.
Julen Lopetegui, um conservador de ideias fixas, fez poucas mudança, mas a verdade é que a equipa base - experiente e atrevida ao mesmo tempo - lhe dá todas garantias. E o mesmo se aplica ao restrito grupo de jogadores que virá do banco. Um problema sério para Portugal.


MÁRIO RUI  - Jogador com um percurso interessante nas seleções jovens entre 2006 e 2011, Mário Rui - que esta semana se estreou na equipa A - foi para Italia há quase sete anos. Tem subido a pulso, desde os escalões secundários até ao candidato ao título Nápoles onde está a realizar uma época de alto nível. Não tanto pelo que mostrou contra a Holanda, mas pela regularidade ao longo do ano e pela experiência adquirida é um candidato a ter em séria conta na lista final dos 23 para o Mundial da Rússia.

ANDRÉ HORTA - Estrela cintilante no arranque da temporada passada que levou o Benfica ao tetra, André Horta tem tido no último ano um comportamento errante. Mas, sendo um talento potencial, é legítimo perguntar porque escolheu uma Liga secundária, como a MLS Americana para prosseguir a sua carreira. A questão financeira terá pesado e, em termos pessoais, também pode ter uma grande experiência. E é novo, a Europa estará à sua espera.

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