Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

O homem que não entende o silêncio

Não tomemos a parte pelo todo. O Sporting deve a Bruno de Carvalho e à sua estratégia de exigência e compromisso muita da enorme mudança dos últimos anos. O futebol português, mesmo que os situacionistas não gostem também deve ao Presidente do Sporting a denúncia de inúmeras situações que hoje a Justiça investiga além de um punhado de propostas sólidas que visaram melhorar o jogo e a indústria.

É bom ter estes dados em conta porque não só a sua legitimidade não está em causa como, no deve e haver, BdC tem um lugar no presente e no futuro. Mas seria bom acabar com os tiros nos pés.

O Presidente do Sporting costuma queixar se amargamente que os analistas (e parece que também aqueles comentadores dos programas televisivos) reparam muito na forma e pouco na substância das suas intervenções, mas nos recentes SMS’s enviados aos jogadores não só a forma é péssima como o conteúdo é totalmente inadequado dadas as circunstancias.

Há um problema no Sporting entre Presidente e jogadores e, para mim é claro, nem Bruno é o mau da fita nem os jogadores são umas virgens imaculadas por muito que a opinião publicada faça o seu jogo. Um pouco vergonhosamente, até.

Um inevitável compromisso implica cedências de parte a parte.

Ora, ao escolher o caminho das mensagens escritas e não uma (ou mais) conversa (s) cara a cara, o líder do Sporting sabia que as mesmas acabariam nos jornais e na televisão. E deveria saber mais. Hoje a palavra escrita, do mail ao WhatsApp banalizou se, mas escrever tem um peso muito distinto de falar. Dadas as circunstâncias tudo aconselhava ao recato de uma sala de reuniões e, se fosse o caso, com recurso a medidores.

O tipo de argumentos usados - das boas condições às viagens, como se num clube de topo tal fosse uma originalidade - é óbvio que não colhe neste momento junto dos jogadores e, já agora, nem junto dos adeptos porque estes reconhecem mérito ao Presidente na mudança do clube mas nunca acham (como Bruno acha na sua imensa auto-estima) que ele é mais importante que quem marca golos ou ganha jogos.

Se dúvidas houvesse basta ver de que lado estiveram ou estão as multidões no conflito.


UM NOVO E.T. ? CALMA...

O futebol, como a vida, precisa de heróis e a sensacional exibição de Mo Salah contra a Roma na Liga dos Campeões - na sequência de uma época brilhante - fizeram com que analistas sensatos se apressassem a dizer que o egípcio é, neste momento, o melhor jogador do planeta.
Salah cresceu admiravelmente e a sua influência - não apenas os seus golos - num Liverpool de gala fazem do clube um sério candidato a ganhar a Champions.
A questão sobre Salah, que está a caminho dos 26 anos, será a consistência das suas actuações no futuro. Se olharmos para Cristiano Ronaldo e Leo Messi não só verificamos que com a mesma idade já eram jogadores de altíssimo rendimento e suprema magia como hoje, vários anos depois - o que é ainda mais notável no caso do português - se mantém no topo com números e actuações admiráveis. E muitos golos.
O grande desafio para a próxima estrela global, seja Salah, Neymar ou outro, é ter durante anos uma performance muito acima da média.


INIESTA - O aplauso geral, não apenas em Espanha, para Andres Iniesta não é novo. Se há jogador na última década apreciado pelo seu talento e pelas qualidades humanas é o baixinho voador, peça central nas grandes conquistas do Barcelona e da Selecção Espanhola. Iniesta prepara se para sair de cena dos grandes palcos - deverá rumar à China - e é uma pena não brilhar na Champions, mas o Mundial da Rússia pode ainda consagra lo como o ícone global a quem nunca foi dado, também pela sua timidez, o reconhecimento devido.


MARCELO - O sensacional golo do lateral brasileiro ontem em Munique colocou de novo o Real Madrid na rota para terceira final consecutiva da Liga dos Campeões. A equipa teve sorte mas teve também a arte e a experiência de jogadores como Marcelo que, a entrar nos últimos anos da carreira , é hoje um dos grandes jogadores à escala planetária numa equipa que não falha nos grandes momentos. E, para ele, ainda mais importante que o desfechoda Liga Milionária será a participação do Brasil no Mundial da Rússia.

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