Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

O longo calvário de Casillas

É um lamentável remake, porque já tinha sido obrigado a sair do Real Madrid enxotado, como se tivesse peste depois de longos anos e muitos títulos conquistados.

Não tenho estados de alma com Casillas. Como guarda-redes tem uma história única, excepcionais qualidades mesmo com defeitos que os anos agudizaram; como Homem a doutrina divide-se: um líder ou um cínico, depende do ponto de vista. Em qualquer dos casos um profissional.

Casillas terá confessado a amigos espanhóis que não fazia ideia porque tinha ido parar ao banco dos suplentes no jogo da Alemanha.

O facto é que desde que chegou ao Dragão o seu rendimento tem sido sempre bom e esta época estava mesmo a ser excepcional. Acresce que estaria a efectuar um trabalho físico específico com o objetivo concreto de melhorar a sua performance e regressar à Selecção a tempo do Mundial da Rússia.

No Verão antes de accionar a cláusula de renovação, Casillas procurou alternativas em Inglaterra, Alemanha e Itália. Nada lhe agradou. O Porto via com bons olhos uma saída porque em situação financeira muito difícil os 5 milhões de Euros de salário anual são um problema e, quer Pinto da Costa quer Sérgio Conceição, terão considerado que com José Sá o clube tinha não só uma boa alternativa como uma alternativa de futuro. Não por acaso o Porto recrutou Vanã e, parecendo desnecessária, essa contratação tinha e tem um sentido.

Mas porque ficou Casillas em Portugal se não era desejado? Desde logo porque esse facto não terá sido expresso de forma clara. Pinto da Costa é um mestre do disfarce, Conceição que é mais transparente e pouco dado a equívocos também alimentou a situação. Depois, porque avaliadas as opções desportivas e financeiras, o Porto pareceu ainda pareceu a melhor. Iker gosta da cidade e gosta mais do facto de estar a uma hora de casa. Acreditou que nada mudaria e até se terá entusiasmado com a nova dinâmica da equipa.

A suprema ironia é que tendo escolhido Jorge Mendes para, por interposta pessoa, concretizar o negócio da sua saída do Real Madrid para o Porto há dois anos e meio, Iker Casillas não tem agora quem o ajude numa situação difícil: o Porto para aliviar a despesa corrente quer vê-lo fora em Janeiro, ele quer jogar para estar na Rússia, mas na Europa as alternativas parecem inexistentes, para mais para um jogador que já esteve este ano na Champions.

Há muito a mania de dizer que o futebol é momento e, com essa expressão, fazer uma aparente defesa da meritocracia. Como é evidente Casillas não tem contrato para ser titular do Porto, mas o seu desempenho e já agora o seu estatuto mereceriam outro respeito em vez da conversa da "opção técnica".


A JUSTIÇA A FUNCIONAR
No futebol, mais do que em qualquer outra área, existe a ideia de que a Justiça - desde logo a Justiça Desportiva - não funciona. Ou funciona muito mal e muito lentamente. Nao faltam casos ao longo dos anos para comprovar esta afirmação. A Justiça, como a classe dirigente, sao inversamente proprcionais à excelência dos atletas. Nesse sentido a recente movimetação das autoridades com buscas no Benfica e nas casas de dirigentes do Benfica é um sinal de normalidade democrática, também no Desporto. Ora, cada um de nós terá nesta fase a sua opinião tendo em conta as informações disponíveis, as declarações dos protagonistas, a manipulação em curso - onde não há inocentes. Essas ações também são parte do Processo e o que se pede às autoridades é distanciamento, rigor e celeridade. Num país como Portugal associar essas palavras à Justiça é pedir muito. Mas é o nosso dever.


BAS DOST
Após largas semanas de seca o matador holandês regressou em pleno. Na temporada cinzenta que o Sporting fez em 2016, Bas Dost foi a excepção com um número invulgar de golos que só o incrível Messi superou na Europa. Este ano Jorge Jesus introduziu mudanças no modelo de jogo que têm prejudicado o avançado mas nunca se lhe ouviu uma crítica expressa ou velada mesmo quando foi para o banco. Bas Dost gosta do Sporting, é um bom jogador e um grande profissional.


JONAS
Líder dos marcadores da Liga com 11 golos - quatro de grande penalidade - Jonas Gonçalves ainda é aos 33 anos o maior seguro do ataque do Benfica, para mais agora que Mitroglou, o seu parceiro mais eficaz, deixou Portugal. A cumprir a quarta temporada em Lisboa Jonas não tem a frescura do primeiro ano, todos os outros foram muito oscilantes, mas mantém a mesma influência e o mesmo alto ratio de concretização. Um jogador muito valioso que deixará saudades na hora da partida.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação desportiva.
  • conteúdo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão epaper do jornal no dia anterior
  • conteúdos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0