Chegou a hora da verdade. Depoid de dois anos e umas 200 seleções a competir, o Mundial entra na sua fase decisiva: 16 países (na verdade apenas 14 depois das eliminações de ontem) jogando a vida ou a morte. Não há margem de erro. Não são permitidas falhas. Porque o que ganha segue em frente e o que perde vai para casa.
Espanha chega a esta fase culminante, emocionante e cruel com ânimos renovados após as más sensações deixadas pela equipa no último jogo frente a Marrocos. Esta semana serviu para recuperar a calma e a esperança, para tirar dúvidas e devolver certezas em torno de uma equipa na qual se pode acreditar.
Espanha tem talento mas necessita de maior velocidade, mais profundidade no seu jogo e menos ‘despistes’ defensivos. O excesso de toque sem verticalidade e a falta de concentração na defesa disparam os alarmes. A boa notícia é que há muita margem de manobra e que recuperando o bom nível habitual, Espanha pode chegar longe.
O primeiro posto do grupo, conseguido ‘in extremis’ graças a uma dupla decisão do VAR, situou La Roja na parte da competição mais agradável (ainda que num Mundial não se possa falar em nada que seja fácil).
O caminho começa hoje com um choque com os anfitriões, a Rússia, no repleto estádio de Luzhniki. 80 mil pessoas darão ânimo aos russos frente a uma Espanha que deve corrigir o seu jogo e a sua história. Os confrontos contra as equipas organizadoras nos grandes campeonatos correm-nos quase sempre mal.
Para tentar o assalto aos quartos de final, Fernando Hierro manterá De Gea na baliza, pese a opinião das bancadas, que gostaria de apostar em Kepa, e introduzirá Koke no onze. Será a mesma equipa (com Carvajal no lugar de nacho) que empatou com Portugal. Esse foi o melhor encontro disputado até agora por Espanha. É um onze que dá garantias, uma formação de nível para tentar superar os russos. Confio nesta equipa.
No estádio haverá uma pessoa talismã: o rei Felipe VI, a quem Putin não acompanhará porque está incomodado pois ao jogo inaugural não foi nenhum grande governante.
Pior para ele. Perderá um grande jogo. Isto desde que que o temporal e os ventos quase ciclónicos que ameaçam Moscovo não estraguem o jogo. Espero que a única tempestade seja de golos. De golos de Espanha.