José Ribeiro
José Ribeiro Editor chefe

Os génios do futebol

Questionado sobre as possibilidades de uma equipa portuguesa voltar a ganhar brevemente a Liga dos Campeões, na sequência da eliminação do Benfica em Dortmund, Jorge Jesus explicou que enquanto Cristiano Ronaldo e Lionel Messi andarem por cá dificilmente esse sonho se tornará realidade. À primeira vista poderia parecer um argumento estranho uma vez que os treinadores defendem à náusea a ideia de a força de uma equipa residir no colectivo. Ora, duas semanas depois, o treinador mais titulado na história deste jogo, Alex Ferguson, utilizou precisamente a mesma ideia. "O sucesso é cíclico", disse à ESPN, acrescentando: "As equipas espanholas são as melhores mas isso vai mudar. O Ronaldo vai ficar mais velho, o Messi vai ficar mais velho".

Para explicar melhor a ideia, o escocês falou no domínio do Ajax na década de 1970 (aconteceu na primeira metade desse período), no domínio do Bayern Munique na década de 1980 (que não existiu, dado não ter ganho nenhuma Taça dos Campeões nessa altura) e no domínio do AC Milan na década de 1990 (que também não existiu, pois só ganhou duas). Mas numa coisa tem razão: desde que Messi e Ronaldo atingiram a ‘maioridade’ futebolística, a Liga dos Campeões têm sido dominada por eles, quer pelos golos que marcam quer pelos troféus que erguem. Basta lembrar que em onze anos o argentino levantou quatro ‘canecos’ e o português ficou com três. São sete em onze anos. Dentro de dois meses poderemos assistir à oitava em 12 anos. Avassalador.

Não é a primeira vez que o Mundo assiste a tal fenómeno. Na década de 1970 o Ajax venceu três vezes consecutivas a Taça dos Campeões, impondo toda uma nova ideia de jogo a partir da cabeça e dos pés de Cruyff. A seguir foi o Bayern a erguer a taça três anos seguidos à conta das finalizações de um fantástico bombardeiro: Gerd Müller. Algo parecido voltaria a verificar-se na passagem da década de 1980 para a de 1990, quando o AC Milan venceu a prova por duas vezes. Com uma diferença: não o fez pela ação de um mas de três génios: Van Basten, Gullit e Rijkaard. Tirando estes momentos, a Taça/Liga dos Campeões foi uma prova ‘democrática’. E voltará a sê-lo quando Ronaldo e Messi arrumarem as botas.

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