Ângulo Inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Os grandes cada vez mais pequenos

Os fatalistas dirão que as coisas são o que são. É esta a dimensão do país, da economia, do mercado e o futebol não podia ser diferente. Até se pode dizer que, como negócio, como indústria geradora de receitas, é melhor porque ninguém vende tão bem como nós – falemos de novos talentos formados nas várias academias ou de rapazes que chegaram como promessas e saem daqui como certezas, veja-se os casos recentes de Lindelöf ou Ederson.

E, no entanto, estando fortes e pujantes como vendedores, e a anunciarem intenções de gerir clubes na Premier League ou de se tornarem potências na ciência desportiva (caso do Benfica) a verdade é que os três grandes clubes do futebol português mantêm uma irrelevância à escala europeia que, por exemplo, é muito visível neste tempo de pré-época.

Ninguém pediria (lá está, pela dimensão do mercado) que os nossos grandes andassem a lutar pelos jogadores mais fortes ou deixassem de alienar alguns dos seus ativos, mas o que é verdadeiramente incompreensível, sobretudo nos vizinhos de Lisboa – e mais até no Benfica – é o número de jogadores que neste momento estão sob contrato, não se sabendo bem quem fica, quem sai, quem vai emprestado e em que condições. O caso bizarro do guarda-redes que vinha do Atlético Madrid – andou por aí uma semana a treinar-se e a tirar fotos e acabou devolvido – significa a falência de um modelo de negócio. Já nem falo da falta de respeito pelo jogador, tratado como mercadoria rasca.

Se o FC Porto está este ano a salvo desta balbúrdia é só, e apenas, porque a questão do fair play financeiro impediu entradas até ao momento. Nas últimas épocas a loucura imperou. Os custos dispararam e ninguém fez contas. É estranho, mas não há duas leituras. As pessoas que assinaram os cheques estão lá todas. Ou quase. Mas Pinto da Costa está e na mesma cadeira.

Mesmo o Sporting, que teve o ano passado uma experiência traumática, já passou de novo da ‘aposta na formação’ com reforços estratégicos para saídas sem sentido e entradas também sem grande nexo. Fora os vários monos por colocar.

Sim, eu sei que somos um mercado remediado, mas quanto custa este circo, quem ganha e quanto se ganha com ele?! E quanto dinheiro é desperdiçado em jogadores que nunca chegam sequer a vestir as camisolas? É uma conta que obrigando a investigação séria e deparando com muitas portas fechadas, tem de ser feita.

Os clubes portugueses estão bem geridos? Poderiam estar muito melhor.

James

James. Jogador de grandes recursos, o colombiano que, como tantos outros, entrou na Europa pela porta portuguesa, não mostrou fora de campo a mesma solidez. Falta-lhe em intensidade, consistência e maturidade o que lhe sobrará em talento natural. Essa foi a principal razão para o seu fracasso no Real Madrid depois de o clube ter pago, a seguir ao Mundial do Brasil – onde foi a estrela – um valor ainda assim desproporcionado.

Desportivamente o Bayern Munique é uma saída interessante, financeiramente um descalabro para os espanhóis. Mas, enfim, sempre é menos um ordenado milionário.

Dier

Na fase do ano em que há mais dúvidas do que certezas não tenho elementos suficientes para saber se é real o interesse do Manchester United em Eric Dier, a (ou uma das) estrelas emergentes do Tottenham, formado no Sporting. Mas parece uma boa escolha em dois planos. Já para esta época – tem todas as chances de jogar muitas vezes – e prevendo a substituição de Carrick no horizonte de um ano. Dier é inglês e esse fator não é nada desprezível. O Sporting fez um mau negócio na altura, já não há qualquer dúvida.

Fernando Santos e a marca das Seleções

A Seleção Nacional de sub-19 está na final do Campeonato da Europa. É, passe o exagero, quase uma não notícia porque as nossas Seleções, nos diferentes escalões, estão hoje invariavelmente entre as melhores. Ora, é um facto excelente para o tempo presente e muito estimulante para os anos que temos pela frente porque significa que há uma cultura de vitória, que é também uma cultura de responsabilidade e de trabalho que é transversal na Federação Portuguesa de Futebol.

O responsável máximo e com todo o mérito por esse trabalho é o presidente da Federação, Fernando Gomes, mas ouvindo na terça-feira a entrevista de Fernando Santos a Carlos Daniel, na RTP, confirmei a importância de ter no futebol um líder forte, com ideias claras, simples e grande capacidade de mobilização. Esse espírito que Fernando Santos tão bem corporiza tem alastrado a todo edifício das Seleções. Ganha o país.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.