Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa
Jorge Barbosa Editor chefe

Salvador tudo quer

Antonio Salvador justifica uma forte ovação pelos resultados financeiros apresentados no fim da época 2015/16 – 2.1 milhões de euros de lucro e a redução do passivo em 10 milhões, o que é fantástico para um clube com a dimensão, média, do Sp. Braga. O presidente da SAD merece ainda uma outra ovação por nestes resultados não estarem incluídas as vendas dos passes de Boly e Rafa, que, grosso modo, devem permitir mais-valias próximas dos 20 milhões de euros. Esta ótima situação significa que o clube vai navegar sem qualquer tempestade nos anos mais próximos, caso não seja cometida qualquer loucura. Trata-se pois de uma gestão a ter em conta, servindo de referência na rentabilização dos próprios recursos. Os 100 milhões de euros resultantes do acordo feito com a NOS são um bom exemplo.

Esta saudável situação financeira tem, no entanto, o reverso da medalha: o Sp. Braga consegue ter boas contas, é um facto, mas para tal precisa de alienar todos os anos os seus melhores jogadores, o que contribui para que o projeto tenha de estar constantemente a ser refeito, o que tem custos, como é óbvio, na competitividade. Basta ver que, nas épocas anteriores, era reconhecido haver um Sp. Braga com Rafa e um outro sem Rafa, sendo incomparável a diferença de rendimento entre ambos. Agora sem o avançado, fica a certeza que o nível de exigência não baixou um milímetro que fosse, se atendermos nas palavras de António Salvador na Turquia. Já para não se falar nas saídas de Luís Carlos – que era fundamental no meio campo – e de Boly que dava estabilidade à rotação dos centrais.

O que fica claro é que Sp. Braga tem uma matriz de jogo inequívoca, focada no futebol ofensivo, à imagem do seu treinador, e que não foi alimentada por contratações milionárias ou investimentos de vulto. Mesmo assim, o Sp. Braga está a corrigir o distanciamento em relação aos grandes que se acentuou nas últimas épocas, e continua com ambições nas restantes frentes, o que se conclui que o processo de renovação está a ser muito menos doloroso do que seria de esperar. Mérito de António Salvador, mérito de José Peseiro e mérito dos jogadores que, sem razão, têm estado debaixo de fogo e, por vezes, de quem menos se esperava.

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