Contas feitas

José Ribeiro
José Ribeiro Editor chefe

Sporting: vender ou não

FC Porto e Benfica têm sido, na última década, empresas de enorme sucesso em matéria de exportação de jogadores, conseguindo fazer crescer os orçamentos e aumentar o nível competitivo, quer em Portugal quer na Europa, precisamente como sequência de grandes operações no mercado de transferências. Hoje encontram-se a uma grande distância do Sporting, neste particular, a qual se reflete naquilo que são os feitos quer nas provas da UEFA quer nas domésticas, no referido período.

Neste contexto, a transferência de Renato Sanches veio apenas mostrar, uma vez mais, que a ‘máquina’ da Luz continua em alta velocidade, que as saídas muito lucrativas poderão continuar a alimentar a chegada de novos jogadores de qualidade para desenvolver e mais tarde negociar com a obtenção de boas mais-valias. Quatro já estão garantidos: Jovic e Grimaldo (desde janeiro), Carrillo e Cervi (a chegar em julho/agosto).

Assim, o facto de o Sporting estar este ano a lutar ombro a ombro com o Benfica deverá até ser um caso de estudo; o facto de ter uma vantagem sobre o FC Porto que não se via desde 1971/72 poderá, em parte, explicar-se pelo desfazer da equipa portista em julho passado; mas em boa parte o ‘fenómeno’ deve-se ‘apenas’ à feliz junção de um treinador de sucesso a um grupo de jogadores que em condições normais os leões não poderiam ter. Para juntar estas peças, Bruno de Carvalho teve de fazer o orçamento subir em flecha. E o mesmo só é sustentável por mais anos se o Sporting encontrar forma de entrar, em andamento, na ‘locomotiva’ que transporta FC Porto e Benfica há uma década.

Dito de outra forma: o Sporting tem hoje nos seus quadros alguns futebolistas que valem muitos milhões (João Mário, Slimani ou William Carvalho). Sabe-se que João Mário e Slimani, juntos, podem valer, pelas cláusulas, 90 milhões de euros. E interessados não faltam. Se houver capacidade e/ou vontade para negociar um ou os dois e partir daí para o caminho de sucesso trilhado pelos rivais, o futuro é capaz de ser risonho; caso aposte na permanência de todos para atacar a Liga 2016/17, pode até ser campeão, mas essa conquista, desconfio, ficará mais perto de ser a primeira e única do que a primeira de outras.

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