Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Todos contra o Benfica incluindo o Benfica

Não é novidade para ninguém que, depois do desastre desportivo da época passada, o Sporting precisa de ter êxito este ano, sob pena de o projeto de Bruno de Carvalho ficar em causa; também não é novo que para o FC Porto – após décadas de supremacia – os últimos anos mostraram uma fragilidade desportiva e financeira que atiraram o clube para uma situação insustentável. Ou seja, esta época é crucial para os rivais do Benfica e todos, todos são todos, têm isso bem presente.

Sporting e FC Porto terão criado, ou não, a doutrina divide-se, uma aliança ao menos temporária para visar o rival com uma estratégia de comunicação que, sendo autónoma e bem pensada (quase sempre), converge em muitos momentos. Até agora em quase todos. No plano estritamente desportivo, leões e dragões foram competentes no trabalho da pré-época, mesmo tendo limitações.

O FC Porto, sem poder comprar, chamou quem estava fora, trocou de treinador escolhendo alguém com uma cultura competitiva e uma personalidade mais marcante, como contraponto à competência demasiado bem educada e mal sucedida nos momentos chave de Nuno Espírito Santo. O Sporting, mantendo um elevado número de entradas e saídas, fez algumas dispensas e vendas duvidosas, como as de Esgaio ou Paulo Oliveira, mas reforçou-se bem, trazendo jogadores experientes, como Mathieu ou Coentrão, e jogadores jovens, como Bruno Fernades que acrescentam efetivo valor à equipa. Os rivais ainda não ganharam nada, mas estão a fazer bem o seu trabalho e o Benfica, talvez por considerar que ambos erraram demasiadas vezes no passado recente, desvalorizou essa possibilidade. Um erro de avaliação que pode custar caro.
Esta é uma das frentes do problema – o estado em que FC Porto e Sporting seguem na Liga e, no caso do Sporting, a boa entrada também na Champions. Em simultâneo, os dois clubes não parecem ter problemas internos e – valha a verdade – não os têm porque estão a ganhar no futebol e tudo o resto fica para trás das costas.

A exiguidade e desequilíbrio do plantel do Benfica saltava à vista, apesar de uns quantos, sobretudo entre portas, o quererem agora negar ou minimizar, tapando um gigantesco sol com uma pequena peneira. Claro que se a equipa voltar rápida e consolidadamente a ganhar – e a Taça da Liga não serve de botola nas vitórias, só nas derrotas – tudo serena. Mas, mesmo ganhando o Benfica, não resolverá o problema das fragilidades do grupo e teria sido possível comprar um pouco mais e melhor. Por extensão não resolverá a agitaçao interna – o ‘caso’ Nuno Gomes, gerido às três pancadas, tem umas semanas, a probabilidade de Rui Gomes da Silva aparecer mais vezes é diretamente proporcional aos golos falhados e sofridos.

No meio de tudo isto, há o ensurdecedor silêncio de Luís Filipe Vieira, mesmo que uns quantos falem em nome dele ou se desdobrem a explicar que o presidente anda dia e noite no apoio à equipa. Vieira deve falar, não por causa da crise, mas para acabar de vez com o assunto. Uma entrevista a sério, em direto numa televisão de canal aberto.


O ego de Neymar e a fúria de Cavani

O triste e decadente espetáculo das vedetas do Paris St. Germain mostra o pior lado da natureza humana, não apenas dos jogadores de futebol. A vaidade e a importância de cada um torna-se mais relevante que o coletivo e esse facto pode, se não for estancado de imediato, tornar-se num desastre para o Paris St. Germain. Exagero? É esperar para ver. Desde logo, o clube não tem cultura de ‘grande’. Tem muito dinheiro, mas o dinheiro não compra tudo. O treinador parece ser, do ponto de vista disciplinar, uma fraca figura, e mesmo a forma como o poderoso presidente comentou o caso revela o medo que tem da reação de Neymar, antes de qualquer outra. Afinal, ele criou o monstro e terá de o alimentar. Sucede que o uruguaio Edinson Cavani, que viveu anos na sombra do poderoso Ibrahimovic, não tem – como se viu – cara de quem se vai ficar no meio da escola de samba, em especial no duelo com Neymar, enfim um génio completamente fora da lâmpada. O assunto pode ser menor, se for resolvido, ou transformar-se num tema sério. Mesmo nunca tendo lidado com vedetas de tal calibre, o português Antero Henrique é de longe a pessoa mais qualificada para juntar as partes. Para já. A seguir será necessário tomar medidas radicais. A corrente vai partir pelo elo mais fraco.


Paulinho. Com perfil técnico baixo, se pensarmos na escola brasileira, o médio Paulinho é um daqueles jogadores que, pela simplicidade e eficácia do seu jogo, pelo poderio físico e capacidade de liderança, acaba por ter um papel preponderante nas equipas. Com um fraco desempenho na Europa, em concreto no Tottenham, Paulinho entrou no Barcelona sob o olhar muito desconfiado dos analistas e adeptos. Dois golos e duas boas performances mostram que ele pode somar. Afinal, sempre é um titular da seleção do Brasil.

Matic. É uma das estrelas do arranque da Premier League com um papel central na boa carreira do Manchester United. Não é exatamente uma surpresa, se pensarmos nas suas qualidades e no perfil que Mourinho procurava, mas a história ainda por contar é por que foi, afinal, dispensado pelo Chelsea e vendido a um rival direto. Admitamos que Antonio Conte vê no seu substituto, o francês Bakayoko, um jogador com mais capacidade – o que está ainda por comprovar. Com tantas frentes, a dispensa do sérvio é um erro; evitar que continuasse em Inglaterra deveria ter sido uma prioridade. Conte queixa-se mas é o primeiro responsável.



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