Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Quinito: Um homem invulgar à procura do futuro

Quando eu comecei no jornalismo, no final dos anos 80 do século passado, Joaquim Lucas Duro de Jesus – que o futebol já conhecia há muito como Quinito – era um dos ‘cromos da bola’. Ninguém lhe era indiferente e ele, mestre das palavras, gostava de estar no centro do palco.

Nesse tempo não existia, nem de perto, a pressão que existe hoje, mas o futebol já movia multidões e era um grande fenómeno social com rivalidades e até comportamentos que perduram até aos nossos dias. É certo que esse tempo não volta e Quinito é um homem dos dias em que o futebol era arte e não ciência, era quadro a giz e não ‘power point’. A vida mudou tanto, que o jogo, o método de treino, a forma de dirigir equipas também se transformou radicalmente.

Num certo sentido, Quinito será um homem desse outro tempo. E, no entanto, no que o futebol tem enquanto atividade em que a motivação e a superação são determinantes, aquele homem que sorria com os olhos esteve muito à frente da sua época, porque, pela natureza que tinha, era um invulgar líder, um detonador de emoções, um provocador que os seus jogadores veneravam e os adversários temiam.

Uma admirável reportagem da Sport TV, assinada por Jaime Cravo, trouxe-nos nos últimos dias Quinito de volta. Nesse trabalho jornalístico, em que o antigo treinador nunca fala, a sua história e maneira de ser são contadas por alguns dos seus antigos jogadores. Impressionam as palavras de Paulo Fonseca, Dito, Pedro Martins e outros.

No entanto, o que é absolutamente arrasador (e triste) é o silêncio de Quinito sentado em Setúbal numa mesa de café e, pelo menos a mim, encontrar nas imagens de arquivo o seu sorriso único, o tal que se sentia no olhar, ou o abraço cúmplice a jogadores ou mesmo a colegas.

A reportagem, notável como escrevi, talvez tivesse passado despercebida se um grupo de treinadores e de amigos de Quinito não tivesse achado que este era o momento para lembrar ao mundo do futebol que um dos seus melhores está vivo, passa por uma situação difícil e precisa de ajuda.

O testemunho de Quinito, mil vezes partilhado nas redes sociais, mostrado nos jornais e nas televisões, é , não um libelo contra o futebol, mas uma emotiva confissão da fragilidade da natureza humana.

Durante uma vida, de clube em clube , de cidade em cidade, Quinito, longe de casa e da família, não viu o filho crescer : ‘’Estava meses sem o abraçar." Quando o filho morreu, e a morte dum filho é contranatura, percebeu que todas as vitórias no futebol não serviram para nada. Como disse sem brilho no olhar, mas com a emoção de sempre no uso da palavra - "estou a perder 50-0."

Quinito amava o filho e perdeu-o. Amava um futebol que já não existe e onde, talvez por essa razão, não tenha lugar. Pagou, como confessou a uma plateia que se desfez em lágrimas, um preço elevado.

Mas, nestes dias sombrios, só os amigos , mesmo que sejam, como são, amigos do futebol, e a família – Quinito sai do café para ir buscar o neto à escola – podem dar de novo sentido à sua vida e devolver-lhe um sorriso que era único.



Que Europeu vamos ter?

Os acontecimentos de Bruxelas apenas relançaram uma questão que está na mente dos organizadores de todos os grandes eventos, em particular dos eventos desportivos. Como é que se garante hoje a segurança dos cidadãos? Sejamos claros: com o padrão de terrorismo com que estamos confrontados, ninguém tem a resposta.
O trabalho das várias polícias, o recurso aos serviços secretos, a cooperação entre os estados são chave neste processo, mas tudo isso – com mais ou menos fragilidades – tem acontecido e não foi suficiente para evitar os recentes atentados de Paris ou Bruxelas.
O primeiro-ministro francês veio dizer o que se espera de um responsável político: teremos Euro, desistir não está sequer em cima da mesa e a França é um país livre. Tudo verdade. Será, no entanto, um mês – mais do que os outros – dominado pelo medo. O Mundo está muito perigoso.

Keylor Navas. Espécie de patinho feio do Real Madrid – contratado o ano passado para ser o suplente de Casillas e este ano quase vendido no negócio falhado com David De Gea – o guarda-redes costa-riquenho Keylor Navas é um dos poucos jogadores que tem feito uma época acima da média, mostrando qualidades para uma baliza tão difícil e, nos últimos anos, tão controversa como a do Real. Apesar das suas excecionais exibições, o próprio sabe que não está livre de ser de novo envolvido numa operação no final da época. Seria muito injusto, mas, em Madrid, a justiça é uma palavra com pouco valor.

Courtois. Pela primeira vez, um jogador do Chelsea diz abertamente que José Mourinho teve responsabilidades no mau desempenho da equipa no arranque da temporada. O guarda-redes belga Thibaut Courtois, que Mourinho escolheu, preterindo o histórico Petr Cech, diz não só que o despedimento foi justificado, como a pré-temporada foi deficiente, prejudicando a performance da equipa. Como sempre que se fala de Mourinho, estas declarações tiveram impacto em Inglaterra, numa fase em que o treinador, continuando na rota do Manchester United, é também desejado por alguns sectores do Arsenal para substituir o arquirrival Arsène Wenger.






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