Ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Um líder carismático

O Europeu revelou um lado de Cristiano Ronaldo que muitos portugueses e muitos adeptos do futebol em geral desconheciam - a sua capacidade magnética de liderança. Não me quero apresentar como um visionário, mas esse facto não surpreendeu minimamente.

Quem vê o seu desempenho dentro de campo, no Real Madrid ou na Seleção, verifica que Ronaldo além de saber sempre o terreno que pisa está em permanência a dar indicações aos colegas, seja em jogo corrido, seja nas bolas paradas. A sua influência no balneário também é enorme e, na Seleção, alguns confundiram essa circunstância natural com uma espécie de vassalagem que seria preciso prestar a Cristiano Ronaldo. Puro engano.

Desde logo, ele é um chefe e as organizações, ainda para mais em meios tantas vezes dominados pela emoção como o futebol, precisam de um chefe. Depois, o impacto interno e externo - ou seja, dentro do grupo e junto dos adversários – por parte de Ronaldo é de tal ordem que a sua simples presença tem um fator mobilizador. Os nossos precisam da sua proteção, os outros temem a sua simples presença. E a partir de agora o mito ganha outra dimensão.

A prazo, e apesar de termos uma excecional geração de novos jogadores, esse vai ser o maior problema do nosso futebol: deixar de ter uma superestrela, para mais carismática, como Ronaldo. No plano desportivo, e após uma época altamente desgastante, dirão os mais críticos que ele fez um Europeu sofrível. Sendo, a par de Messi, um dos dois melhores jogadores do Mundo, é expectável que faça sempre mais. Há até quem lhe exija que faça tudo sozinho. Ainda assim marcou três golos e fez três assistências. Resgatou a equipa em momentos cruciais. Foi impedido à pancada de jogar a final – e essas imagens, do choro compulsivo até ao stress final no banco, perdurarão para sempre.

Exerceu, como se viu nos momentos dos decisivos penáltis frente à Polónia, e no tudo ou nada de Paris, o seu papel de líder, respeitado e seguido por todos. Estranha ironia. Um homem tantas vezes acusado de egoísmo, nunca deixou de ser um jogador de equipa e nunca deixou de ser o líder que Portugal precisava.

Ronaldo tinha um sonho e para o cumprir não chegava ser um excecional jogador. Também era preciso ser aquilo que faz a diferença: um grande líder.



Um líder tranquilo

Não se podem estabelecer confusões entre os planos da liderança de Cristiano Ronaldo e a liderança técnica e de todo o projeto desportivo da Seleção corporizado por Fernando Santos.

Ao contrário do que o seu rosto tantas vezes crispado mostra, Fernando Santos é o que sempre foi: um homem tranquilo, que pensa pela sua cabeça, de bem consigo próprio, muito pela sua formação católica, e que, ao congregar, soube ganhar o respeito de todos.

Também mostrou grandes qualidades como treinador que quer ganhar. Se era para ser divertido, para dar espetáculo talvez houvesse melhor. Para ganhar é que não.

A parte descontraída jogou-a bem nas conferências de imprensa, mostrando que os anos lhe deram uma maturidade que a passagem pelos três grandes por si só não lhe tinha garantido.


SPORTING. Se o período do chamado ‘defeso’ já é por natureza confuso, com entradas, saídas, negócios de última hora e por aí adiante, este ano, na ressaca do Euro e da Copa América tudo será ainda mais agitado. No Sporting, Jorge Jesus, que está focado no objetivo do título, tem de se preparar agora para um previsível ataque aos talentos da academia, novos campeões da Europa, mas mantendo Slimani e trazendo reforços estratégicos. O Sporting parece estar a fazer o seu caminho. Apesar da previsível manutenção do goleador argelino, as maiores dores de cabeça serão mesmo no ataque.

BENFICA. Os encarnados partem para a nova época em busca de um mítico tetracampeonato. Na Luz, também há ainda muitas perguntas sem resposta e muitos nomes que parecem poder entrar. Seria sensato que o Benfica, ao contrário de outros anos, não fosse uma placa giratória. O ponto essencial para Rui Vitória é a manutenção da estrutura base da equipa da época passada, ao mesmo tempo que é necessário encontrar um bom substituto para Renato Sanches. Se há qualidade que o treinador tem é a de encontrar soluções onde menos se espera.

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