ângulo inverso

Nuno Santos
Nuno Santos

Uma grande Liga. Parabéns ao campeão!

O que quer que aconteça no próximo fim de semana o vencedor da Liga deste ano será um campeão justo. O Campeonato prometia e o Campeonato cumpriu. Benfica e Sporting estiveram à altura e até o fracasso do Porto terá sido terapêutico e revelador, senão do fim de um ciclo, pelo menos da necessidade de uma mudança de rumo.

Foi uma Liga marcada pela figura de Jorge Jesus, pela sua incrível e inesperada transferência da Luz para Alvalade que gerou ódios e inquietações de um lado e legítimas esperanças do outro. Seja ou não o vencedor, Jesus deixa a sua marca e transformou profundamente o futebol e o posicionamento do Sporting.

É verdade que nos últimos dois anos, com Leonardo Jardim e Marco Silva, a equipa já crescera, mas foi com Jorge Jesus que se afirmou ao ponto de entrar na última jornada em condições de ganhar o título. Como a historia é escrita pelos vencedores e sobre os vencedores não é indiferente ficar em primeiro ou em segundo. Se falhar, Jesus é o grande derrotado do ano mesmo que não exista sombra de duvida sobre a metaforfose que o treinador introduziu em Alvalade. Não existindo nenhum golpe de teatro, teremos na próxima época um Sporting mais forte.

Treinador e Presidente do Sporting gostam de dizer que o Sporting seria o justo campeão retirando o mérito ao rival Benfica. Mas não estão a ser sérios. O Benfica superou-se em muitos momentos, soube ultrapassar a ausência de jogadores nucleares como Luisão e Gaitán durante longo tempo, lançou novos talentos que ja está a rentabilizar, mostrou um espírito de grupo raro numa equipa de primeiro plano. Tudo isto numa época de alto risco em que perdeu o treinador bi-campeão para o rival histórico substituído por um técnico a quem ninguém negava qualidades, apenas capacidade de liderança. Até nesse aspeto houve uma mudança: Rui Vitória encontrou o tom certo. Falou quando devia falar e os seus silêncios foram muito eficazes.

Luís Filipe Vieira comandou a máquina com frieza e inteligência deixando a guerrilha para os seus sequazes. O Benfica, ganhe ou não, é hoje a principal potência do futebol em Portugal. Sporting e FC Porto terão agora que lutar para lhe retirar esse estatuto construído no âmbito de uma estratégia bem definida e que este ano obedeceu a uma alteração de paradigma com um reajuste da folha de salários que tem que continuar.

Globalmente a Liga não foi um grande espetáculo. Há jogos pobres, estádios vazios. Benfica e Sporting foram de outro Campeonato. Quatro jogadores afirmaram-se como as figuras maiores: João Mário e Renato Sanches [ver peças à parte] e os goleadores Jonas e Slimani. Jonas que já fora decisivo na época anterior brilhou num Benfica anormalmente goleador, Slimani é o exemplo de como pode crescer um jogador nas mãos de Jorge Jesus.

Vítor Oliveira - O vício de ganhar

Nos últimos dias muitos fizeram a pergunta – porque não quer Vítor Oliveira treinar na I Liga mesmo quando os clubes têm, como parece ser o caso do Chaves, boas condições para oferecer ao treinador? A resposta é simples. Boas condições talvez, mas o Chaves andará na próxima época na luta pela manutenção. Se se reforçar bem pode até estar na primeira metade da tabela, mas a pressão é muito maior, o escrutinio mais elevado e Vítor Oliveira, aos 62 anos, gosta mais para o citar numa entrevista de ontem "de ganhar do que de perder".
Como campeão das subidas a sua fama também lhe gera uma responsabilidade acrescida, mas os grandes meios de comunicação só no fim da época olham para ele e lhe pedem contas. Ao longo dos meses pode, ao seu ritmo, desenvolver o trabalho como entende e aplicar a sua fórmula. A este percurso notável podemos acrescentar outra questão: Vítor Oliveira não seria hoje treinador com qualidade para equipas com o perfil, por exemplo, do Braga ou do V. Guimarães? Do ponto de vista tecnico e dos conhecimentos sim, depois há a questão geracional. Aos 60 anos em Portugal já só Jesus está na primeira linha. As coisas são o que são.

João Mário

Será difícil que João Mário que permaneça no próximo ano na Liga Portuguesa onde brilhou este ano a grande altura. Foi mesmo o jogador do ano. Começou por jogar ao centro, foi em muitas ocasiões desviado para o flanco direito, mostrou uma capacidade de desequilíbrio, qualidade de passe e de construção sem paralelo no nosso futebol. Precisa de melhorar como finalizador e de crescer fisicamente, mas a questão em aberto é se sai antes ou depois do Euro.

Renato Sanches 

A sensacional transferência do jovem médio para o Bayern de Munique só terá surpreendido pelo timing e pelo clube escolhido. A saída estava traçada e, na minha leitura, não acontece cedo demais porque se trata de facto de um jogador com qualidades invulgares. O campeonato alemão é duro, mas a presença de um treinador com o perfil de Carlo Ancelotti e o fim de ciclo de Xabi Alonso podem ajudar Renato na entrada. O Benfica devia ter esperado pela próxima semana para anunciar a transferência.

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