Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa
Jorge Barbosa Editor chefe

Uma questão de liderança

Desânimo e contestação. Duas palavras que andam de braço dado no quotidiano do universo do dragão, pois custa a perceber porque é que a sua equipa profissional de futebol dá um ar de depressão, ao despedir-se como nova humilhação de uma simples Taça da Liga, como já tinha feito o mesmo na Taça de Portugal, que marca passo terrivelmente irritante na Liga, e por essa razão afasta-se cada vez mais do líder Benfica. Pior do que tudo isto, é a falta de uma liderança firme dentro e fora do campo que a conduza a bom porto. Um desânimo que contribui para a respetiva contestação, e não se estranha, por isso mesmo, as manifestações populares dos últimos dias, que começam a atingir níveis incontroláveis. O FC Porto vive, pois, a sua fase negra dos 34 anos de presidência de Pinto da Costa.

Já vão longe os tempos em que qualquer treinador por pior que fosse era campeão no FC Porto devido à força e capacidade da sua estrutura. Mas esses tempos não voltam porque o Benfica despertou e ameaça afirmar uma hegemonia que nunca se tinha visto com Pinto da Costa sentado na principal cadeira do dragão. A mística foi apresentada como uma solução milagrosa para a resolução de todos os problemas, mas já se verificou que não é olhando para o passado que o FC Porto vai voltar a ser dominador, mas sim construindo um novo futuro. Essa lucidez para encontrar esse caminho é o que está a faltar a este FC Porto em risco de colapso.

As próximas semanas serão com certeza difíceis e nesta altura nem a cortina de fumo dos erros de arbitragem é suficiente para desviar as atenções dos adeptos, que, por esta altura, centram o seu descontentamento na Administração da SAD e no treinador. Com as primeiras dispensas já conhecidas – Sérgio Oliveira, Evandro e Adrián López –, aumenta a responsabilidade de serem encontrados reforços rapidamente, mas também aqui nada se tem visto, o que contribui para agravar a situação. Por este andar corre-se o risco de se ver repetidos os tristes episódios que condenaram Paulo Fonseca e Julen Lopetegui no dragão, pois na hora do aperto, como sempre tem acontecido, só os treinadores é que são responsabilizados pelo insucesso, passando as figuras proeminentes entre as gotas da chuva.

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