Caderno de apontamentos

Jorge Barbosa
Jorge Barbosa Editor chefe

Vitória da felicidade

Dá aquela sensação de quem está de bem com a vida e de quem se sente cómodo no que faz. No seu aspeto simples e paciente, de homem de consensos mas também de cedências, na sua aparência de quem é seguro e essencialmente confiante, Rui Vitória tudo tem feito para que a sua vida profissional seja feliz, aliás como tem sido. De desafio em desafio, com jogadores que o estimam e sobretudo o respeitam, porque veem nele um líder natural, o que é fundamental para o sucesso, o treinador do Benfica vive uma das suas melhores fases – o atual campeão nacional, também aqui com muito mérito seu, já é líder da Liga, um líder isolado, e ainda para mais num contexto de todo desfavorável, atendendo ao excessivo número de jogadores lesionados, alguns deles titulares de caras.

É também por aqui que se deve valorizar ainda mais o seu trabalho sério e competente. Não há Jonas e não há Jiménez? Não há Rafa e não há Danilo ou Jardel? Não há problema, joga o Guedes, o Horta e o Lisandro, decisões tomadas e sem ser preciso pôr-se em bicos de pés, tudo feito com a tranquilidade possível, e se preciso for ainda há José Gomes, Cervi ou Celis como ainda há o Manel, o Joaquim e o António para qualquer nova emergência. E se o nível exibicional se ressente, o que é normal nestas situações, por vezes até se ressente de mais, o que importa é que os resultados se mantêm inalteráveis e as vitórias têm-se sucedido. É como é e é assim porque o Benfica de Vitória tem uma identidade.

Uma identidade imposta pelo seu treinador, que resulta numa equipa de hábitos e sobretudo de intencionalidades; com Vitória sabemos como o Benfica é, independentemente de jogar este ou aquele; é uma equipa organizada e disciplinada, com sentido estratégico e posicional; uma equipa que é a sua cara: simples e paciente, segura e confiante. Num contexto difícil, pode muito bem acontecer que estas suas qualidades não cheguem hoje para ultrapassar o Nápoles, mas se não chegarem – o que duvidamos –, todos se devem lembrar que é sobretudo nas adversidades que os homens se transcendem. Como os de Vitória o têm feito, mesmo que, por vezes, sem a respetiva nota artística.

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