Coimbra pouco merece a Académica
Não era inevitável que a Académica atingisse o nível de decadência a que chegou. Por razões da minha vida, sobretudo por ser um estudante de Coimbra e ter ali vivido alguns dos melhores anos que conheci, a Académica, a par do Vitória de Setúbal, é um dos clubes da minha afeição. Vivi profundamente o meio associativo coimbrão e acompanhei as polémicas que transformaram a Académica em Académico, depois em Organismo Autónomo da Associação Académica de Coimbra (AAC), decisão polémica, em 1984, de uma direcção-geral integrada por vários amigos. Também andei aos pontapés (desajeitadamente) nos treinos da versão original, a mais ‘pura’ das académicas, que era a secção de futebol da AAC. No fundo, com aquela decisão, procurou-se integrar o futebol profissional num meio onde a tradição mandava que os jogadores fossem amadores e estudantes. Metendo essa querela de parte, diga-se, no entanto, que foram sempre os estudantes e a sua associação quem mais procurou boas soluções para que a Académica, mais profissional, mais romântica, mais estudantil ou não, representasse Coimbra e a sua Academia. Que fosse competitiva mas não se desprendesse do idealismo e de uma história extraordinária.