O deus mortal do futebol
Roubo o título desta crónica a Manuel Vásquez Montalbán. Na verdade, não conheço melhor bisturi que nos mostre as entranhas desse fenómeno de cosmovisão que o futebol representa. E a ele sempre regresso, nas minhas leituras, quando procuro compreender melhor porque é que no futebol se concentram todas as sargetas da realpolitik, responsáveis pelos mundiais sujos que conhecemos, da Argentina ao Qatar. Responsáveis pelo branqueamento de dinheiro com origens repugnantes, nomeadamente no saque das matérias-primas que afundam o mundo entre muitos ricos e muito pobres, que acabam a financiar crimes tenebrosos, como foi o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, entre muitos outros. Não é essa, porém, a razão da escrita de hoje.