Os aristocratas falidos
O futebol português, na sua miséria de aristocrata falido, está todo retratado naquela fotografia dos presidentes dos três grandes a caminho do Palácio de São Bento, acompanhados pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do presidente da Liga, para uma audiência com o primeiro-ministro. Todos eles, presidentes dos clubes, são isso: aristocratas falidos que vão à casa do príncipe de turno exigir o rédito habitual. O futebol ‘que importa’, com o mesmo sentido possidónio que há uns anos estava concentrado na expressão ‘tudo o que é gente vai ao Lux’, excrescência absoluta de um parolo centralismo lisboeta, foi falar com o primeiro-ministro sobre os problemas da indústria, presume-se, e o regresso das competições.